Em abril de 2025, com o patrocínio do Programa Ibermúsicas, Cau Karam viajou a Portugal para estudar viola de arame com Ricardo Fonseca. A experiência culminou na realização de um espetáculo em que foram apresentadas composições autorais de ambos os músicos. Um ano depois, novamente com o apoio do Programa Ibermúsicas, Ricardo Fonseca segue para Porto Alegre, Brasil, dando continuidade à parceria por meio de novas apresentações do projeto. O público do sul do Brasil terá, assim, a oportunidade de vivenciar o diálogo entre a viola brasileira de dez cordas e a viola de arame portuguesa, explorando as múltiplas sonoridades do instrumento em composições contemporâneas que transcendem, ao mesmo tempo em que fazem reverberar, o legado da viola portuguesa em território brasileiro.
O encontro entre violas que se separaram há séculos, evoluindo de forma distinta no Brasil e em Portugal, permite reconhecer, sob a superfície sonora das diferenças, uma herança cultural partilhada. A parceria entre os dois músicos, ao mesmo tempo que coloca em cena as linguagens musicais próprias e tão ricas de cada país, promove um reencontro, com potência para a ampliação do universo sonoro e cultural das violas no contexto lusófono. O espetáculo abrange dez composições autorais, sendo cinco de cada compositor, com os respectivos arranjos feitos pelo outro, no enlace entre a viola portuguesa e a viola brasileira.
Inicialmente autodidata, Ricardo Fonseca toca guitarra clássica e elétrica desde os 13 anos, e começou a se apresentar ao vivo aos 17. Teve formação em viola clássica no Conservatório Regional de Palmela. No ano 2000, passou a dedicar-se ao bandolim, ao cavaquinho e às violas portuguesas: amarantina, beiroa, braguesa, campaniça, toeira e viola da terra. Integrou diversos projetos de world music e atualmente ministra aulas de cordofones portugueses em diferentes regiões do país, além de produzir oficinas de difusão e ensino desses instrumentos. O álbum “Todo este chão…” é o seu primeiro e reúne obras instrumentais autorais.
Compositor, violonista e violeiro, bisneto e neto de maestros, Cau Karam nasceu em Pelotas, mas viveu desde criança em Porto Alegre. Iniciou sua trajetória como autodidata. No ano 2000, foi pré-selecionado no Projeto Rumos Musicais (Tendências e Vertentes da Produção Brasileira Atual), do Itaú Cultural. Em junho de 2004, seu projeto de gravação do primeiro CD foi contemplado pelo Funproarte (Fundo de Apoio à Arte da Prefeitura de Porto Alegre). Sua trajetória, centrada no violão, resultou na gravação de dois álbuns, sendo que o primeiro recebeu dois Prêmios Açorianos, de Melhor Disco e Melhor Compositor de Música Instrumental, em 2006. Em 2025, com o apoio do Ibermúsicas, realizou em Portugal estudos da viola tradicional portuguesa, aproximando-se do repertório, das afinações e da técnica da viola de arame em seu contexto de origem, com o objetivo de expandir os limites sonoros de sua música, no diálogo entre o cancioneiro tradicional português e a música contemporânea. No mesmo ano, foi selecionado pelo edital do Funproarte para a gravação de um álbum com seu terceiro trabalho autoral, com composições para viola.
Este projeto de colaboração entre Ricardo Fonseca e Cau Karamu foi duplamente apoiado pelo Ibermúsicas. Em 2024, contou com o apoio do Brasil na linha de Apoio à especialização e aperfeiçoamento artístico e técnico, e em 2025, com o apoio de Portugal na linha de Apoio à Circulação de Profissionais da Música.
- Entre os dias 31 de agosto e o dia 12 de setembro, Porto Alegre, Brasil

