João Durão Machado, guitarrista português, desloca-se a Angola e à Nigéria para apresentar “Negritude”, um recital composto exclusivamente de peças oriundas ou radicadas em culturas negras. O seu repertório é composto por obras de Frantz Casséus, Hector Angulo, Toumani Diabaté, Airton Fortes, João Durão Machado e Taiwo Adegoke
A Négritude, movimento literário francófono, procurava exaltar os valores culturais das populações negras sujeitas ao colonialismo francês. Parecendo-lhe o conceito tão justo quanto pertinente, João Durão Machado teve a ideia de o estender da literatura para a música para guitarra clássica. Assim, irá agora proporcionar esta viagem por variadas geografias musicais a alguns dos grupos étnico-culturais que lhe estão na génese. Aproveitará ainda para partilhar a sua vasta experiência pedagógica, inspirando comunidades guitarrísticas africanas emergentes.
“Nasci em 1974, já depois da Revolução de Abril. Quando era pequeno, fui ouvindo muitos relatos de compatriotas que tinham deixado as colónias logo após as independências, vindo viver para Portugal. A essas pessoas chamava-se, na altura, retornados e contavam muitas histórias sobre a sua vida em África, com um misto de saudade e da tristeza de quem tinha deixado para trás o Paraíso. Falavam da simpatia do africano, dos animais, do contacto estreito com a natureza, da sua animada vida social, da beleza sumptuosa das paisagens e da riqueza daquelas terras. Os meus ouvidos despertos e curiosos de criança absorviam não só o que era relatado mas também a forma encantatória e deslumbrada como tudo era descrito e, assim, a minha imaginação começou a cultivar um fascínio e um interesse pelo continente negro que até hoje me acompanham”.
“Numa das minhas muitas pesquisas e leituras acerca da história e das culturas do continente, cheguei ao conhecimento da Négritude, um movimento literário francófono que, no devir do tempo, também chegou a assumir-se como breve projecto político e cultural. Liderado por figuras como o poeta martinicano Aimé Césaire e o escritor e político senegalês Léopold Sédar Senghor, a Négritude procurava valorizar e exaltar os valores culturais das populações negras que tinham sofrido com o colonialismo francês, tanto em África como nas Antilhas. Parecendo-me o conceito tão justo quanto pertinente, ocorreu-me a ideia de o estender da literatura para a minha forma de expressão, a música para guitarra clássica, e da francofonia para uma geografia mais extensa e diversificada”.
Estas apresentações de João Durão Machado em Angola e na Nigéria são possíveis graças ao apoio do Ibermúsicas, através da sua linha de Apoio à circulação de profissionais da música, convocatória 2025.
- 16 de fevereiro, 19h: Biblioteca de Samba, Rua Direita da Samba, Luanda, Angola
- 21 de fevereiro, 19h: Dominique Hall, Chocolate África Classical Guitar Academy Shagari Estate, Alimosho Local, Government Area, Lagos State, Nigeria

