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  • Pierre Boutet – Producción del tema “Quizás, quizás, quizás”

    Pierre Boutet – Producción del tema “Quizás, quizás, quizás”

    Título del proyecto: Producción del tema “Quizás, quizás, quizás”
    Nombre del artista/agrupación: Pierre Boutet
    País: Panamá
    Línea de convocatoria: Ayudas al sector musical para la circulación en Iberoamérica
    Año de convocatoria: 2022

    A canção “Quizás, quizás, quizás” é uma peça icônica da música latina, escrita em 1947 pelo compositor cubano Osvaldo Farrés. Farrés, um músico autodidata, compôs esta canção na sua terra natal, Cuba, e a sua obra tornou-se rapidamente um êxito internacional.

    “Quizás, quizás, quizás” tem suas raízes na tradição musical cubana, especificamente no bolero. O gênero romântico por excelência surgiu em Cuba no final do século XIX e caracteriza-se pelas suas letras emotivas e ritmo lento. “Quizás, quizás, quizás” reflecte esta influência, com uma melodia suave e um tema centrado no amor e na incerteza, ambos elementos do bolero. O seu sucesso deveu-se não só à beleza da composição, mas também à capacidade de Farrés para captar um sentimento universal de dúvida e saudade, o que permitiu que a canção ressoasse em públicos de diferentes culturas e línguas. Ao longo dos anos, “Quizás, quizás, quizás” tem sido interpretada por inúmeros artistas em todo o mundo, tornando-se um padrão da música popular.

    Músico originário da Cidade do Panamá, Pierre Boutet ganhou reconhecimento pelo seu trabalho na música pop e tropical. A sua carreira começou quando era muito jovem, tendo aulas de piano, guitarra e canto. Lançou vários álbuns que misturam gêneros como baladas, pop rock e ritmos tropicais. É conhecido pela sua capacidade de combinar música e elementos teatrais, o que se reflete nas suas produções audiovisuais e cénicas.

    No projeto apresentado ao Ibermúsicas, Pierre Boutet procurou reelaborar o clássico bolero cubano de Farrés, fundindo o tango e a habanera, dois géneros com raízes africanas comuns – entre outras influências identificáveis, como a música popular e a milonga, no caso do tango, e os ritmos africanos, com elementos da música espanhola, especialmente andaluza, no caso da habanera. Na sua nova versão, Boutet procurou explicitamente prestar homenagem às raízes latino-americanas e a dois géneros do continente que percorreram o mundo.

    A ajuda solicitada ao Ibermúsicas foi utilizada para a produção, realização do videoclip e gravação do single na Costa Rica, com a ajuda do produtor e arranjador Walter Flores. A Boutet juntou-se à equipa de produção – realizador, operador de câmara, assistente de produção e técnico de iluminação. Sobre esta experiência, Boutet destaca:

    “Foi uma viagem enriquecedora sob todos os pontos de vista. A possibilidade de realizar este tipo de projectos, com absoluta liberdade criativa graças ao apoio de organizações como o Ibermúsicas, e o facto de essas mesmas experiências nos permitirem partilhar e conhecer novos talentos em diferentes áreas, torna a criação artística muito mais relevante. Os objectivos traçados foram plenamente cumpridos, e estou particularmente feliz por ter podido contar com esta fonte de apoio, que recebo com profunda humildade e gratidão”.

  • Concierto y Masterclasses en Instituto Ling Porto Alegre

    Concierto y Masterclasses en Instituto Ling Porto Alegre

    Título del proyecto: Concierto y Masterclasses en Instituto Ling Porto Alegre
    Nombre del artista/agrupación: Guillo Espel
    País: Argentina
    Línea de convocatoria: Ayudas al sector musical para la circulación en Iberoamérica
    Año de convocatoria: 2022

    Guillo Espel é um compositor, guitarrista e produtor musical. Como solista ou com o quarteto que leva o seu nome, lançou e estreou as suas próprias obras, como compositor e como intérprete, num grande número de países: Estados Unidos; Canadá; China; Austrália; Japão; Alemanha ou Itália. No contexto ibero-americano, Espel apresentou-se em salas e teatros de renome em Espanha; México; Panamá; Costa Rica; Equador; Colômbia; Peru; Chile; Brasil; Bolívia; Uruguai e Argentina. Em agosto de 2016 foi galardoado com o Prémio Municipal de Música da cidade de Buenos Aires.

    Guillo Espel tem trabalhado constantemente os cruzamentos entre a música académica e a música popular, entendendo os limites entre as duas como uma linguagem híbrida que não pertence exclusivamente a um ou outro campo, por quanto as fronteiras entre o popular e o académico estão constantemente entrelaçadas e as suas formas não obedecem aos cânones de um ou outro género.

     

    “A minha música tem sido por vezes ligada à música académica universal e por vezes à música popular, mas sempre pensei que isso se deve exclusivamente à funcionalidade que essas músicas têm, às esferas e formas em que se apresentam. A minha música não é uma justaposição de diferentes linguagens, mas é um discurso único com uma intenção expansiva no uso de ferramentas e de organização”.

    O quarteto Guillo Espel pretende promover o intercâmbio da música e da cultura popular latino-americana, desenvolvendo um ambiente de cooperação e criação colaborativa. Em particular, e em relação a esta experiência, Espel propôs um concerto e uma série de master classes sobre instrumentos da tradição folclórica argentino-brasileira, ambas as actividades tiveram lugar na cidade de Porto Alegre, com o objetivo de gerar um intercâmbio cultural comunitário entre os dois países através do que a sua música tem em comum.

     

    A proposta apresentada faz parte de uma longa tradição do Cuarteto Guillo Espel, tradição a partir da qual já realizaram numerosas gravações de compositores brasileiros, como Antonio Carlos Jobim e Heitor Villa-Lobos.

    A prática do cruzamento entre a música académica e a música popular na América Latina é um fenômeno rico, complexo e de longa data que reflete a diversidade cultural da região. Especialmente a partir do século XX, muitos compositores e músicos de formação clássica começaram a incorporar elementos da música popular e folclórica nas suas obras, criando um diálogo entre as tradições académicas de raiz europeísta e as expressões folclóricas locais. Esta fusão permitiu que géneros como o tango, o samba, o son e outros ritmos da região fossem reinterpretados com técnicas e estruturas da música clássica, e vice-versa. Entre muitos outros, figuras como o já citado Heitor Villa-Lobos no Brasil, Silvestre Revueltas no México ou Astor Piazzolla na Argentina são exemplos emblemáticos destes cruzamentos e hibridações.

    A experiência particular do Quarteto Guillo Espel em Porto Alegre resultou num “concerto de casa cheia em que todos os lugares disponíveis foram preenchidos”. Nas palavras do próprio Guillo Espel: “o programa é muito bom, e se nós apresentámos é porque estamos de acordo com o espírito e a dinâmica de trabalho da equipa local do Ibermúsicas, disponível em todos os momentos com a melhor vontade e eficiência. Estamos especialmente gratos a todos eles”.

  • La Tribu – Gira Abya Yala

    La Tribu – Gira Abya Yala

    Título del proyecto: Gira Abya Yala
    Nombre del artista/agrupación: La Tribu
    País: Panamá
    Línea de convocatoria: Ayudas al sector musical para la circulación en Iberoamérica
    Año de convocatoria: 2022

    Abya Yala é o verdadeiro nome dado pelos antepassados panamenhos e colombianos ao continente americano. É um termo de origem Kuna (ou Guna) que significa “terra em plena maturidade” ou “terra da vida”. É também uma forma de reivindicar e reconhecer a existência das civilizações indígenas e dos seus territórios antes da colonização europeia, propondo um nome próprio e indígena para o continente e sublinhando o carácter imanente de continuidade, união e resistência das culturas indígenas como forma de reconhecimento comum da sua história, cultura e direitos.

    Com este nome, a Banda la Tribu, um grupo de música indígena da nação Dule de Gunayala (Panamá), lançou uma digressão latino-americana de quatro concertos em Quito (Equador); Puerto Viejo (Costa Rica); Ibagué (Colômbia) e Aguascalientes (México). No âmbito desta digressão, os La Tribu combinaram a utilização de instrumentos próprios da região com ritmos contemporâneos, tendo anteriormente levado o seu folclore fundido não só a palcos como o Vive Latino (CDMX) e o Rock al Parque (Bogotá), mas também para além das fronteiras da América, como é o caso da sua digressão no Japão.

    “Abya Yala dá-nos a oportunidade de levar as nossas melodias ancestrais a espaços musicais e multiculturais, para fazer sentir a voz da nossa riqueza nativa, as canções dos nossos avós e as histórias dos nossos povos”.

    Nesta digressão, La Tribu teve a oportunidade de partilhar o palco com músicos de destaque da região, como Roco Pachukote, do México; Marimba Contemporánea, da Guatemala; Conjunto Tropidélico, de El Salvador; La Mafia Andina, do Equador ou Fundingue Vallenato, da Colômbia, entre outros.

    Abya Yala fez parte de uma extensa digressão pela América Latina que foi possível graças ao apoio do Ibermúsicas e do Ministério da Cultura do Panamá. O apoio do Ibermúsicas não só permitiu a La Tribu deslocar músicos e instrumentos pelos quatro países e concertos que fizeram parte da digressão, como também facilitou o contacto com músicos e instrumentistas da região, ligações que poderão dar frutos em futuras colaborações artísticas:

    “Como resultado desta digressão, pudemos colaborar com artistas do México e da Colômbia e contactar festivais como o International Indigenous Music Summit (Toronto) ou o Sancocho Fest em Tulua (Colômbia). Graças a este apoio, pudemos crescer como artistas e expandir os nossos contactos com a indústria musical latino-americana. O Ibermúsicas é um apoio fundamental, especialmente para grupos musicais como o nosso, que precisam de um impulso económico externo para levar a sua música para além das suas fronteiras”.

  • Sons do Pensamento – Tiganá Santana em Portugal e Espanha

    Sons do Pensamento – Tiganá Santana em Portugal e Espanha

    Título do projeto: Sons do Pensamento – Tiganá Santana em Portugal e Espanha
    Nome do artista / agrupação: Tiganá Santana
    Pais: Brasil
    Linha de apoio: Ajudas ao setor musical para circulação na Ibero-América
    Ano da chamada: 2022

    O trabalho musical e cultural de Tiganá Santana é um exemplo claro do tipo de diálogos interculturais que estão no centro programático da missão e visão do Ibermúsicas enquanto programa de cooperação regional. 

    Ao longo da sua carreira musical, Tiganá tem procurado constantemente pesquisar a presença de canções e ritmos africanos subjacentes na música popular brasileira, construindo a partir dessa pesquisa uma identidade própria que é inseparável do seu próprio percurso formativo e do seu interesse em entrar em mundos não ocidentais. De feito, Tiganá junta-se à longa tradição fonográfica brasileira de incorporar ritmos e sonoridades africanas em seus álbuns. Essa atitude resulta num programa estético em si. O álbum aludido apresenta-se por nome Maçalê (“você é um com a sua essência”, em iorubá arcaico) e foi disponibilizado para o amplo público no ano de 2010.

    Nascido a 29 de dezembro de 1982, na cidade de Salvador (Bahia), Tiganá é compositor, cantor, instrumentista, poeta, produtor musical, diretor artístico, curador, pesquisador, professor e tradutor. Iniciou seus estudos musicais de violão aos 14 de anos, na sua terra nativa, e começou a compor ainda nessa fase, após, desde os 9 anos, ter tido a experiência da escrita poética.

    Em sua longa carreira musical, Tiganá compôs vários álbuns, incluindo The Invention of Colour (2013); Tempo & Magma (2015) e Vida-Código (2020), premiado pelo Edital de Publicação de Música do Departamento de Cultura da Suécia, entre outros. Em 2015 dirigiu a produção artístico-musical dos dois últimos álbuns da cantora brasileira Virgínia Rodrigues (o penúltimo destes, Mama Kalunga, rendeu-lhe o prêmio de melhor cantora no Prêmio da Música Brasileira em 2016). O seu álbum Milagres, foi feito sob solicitação da gravadora alemã Martin Hossbach para revisitar, hodiernamente, o emblemático álbum Milagre dos Peixes, do intérprete e compositor Milton Nascimento, com letras musicais censuradas pelo regime ditatorial militar do Brasil em 1973.  

    “Pra fazer música, pra mim, é necessário estar na vida, nessa dança da vida-morte, e o que eu ouço. Eu também ouço muitas coisas, sobretudo, além da música, as coisas que são aprendidas com as pessoas. Mas ouço música do mundo inteiro, sei lá, daqui do continente sul-americano, do continente africano, da Ásia, Irlanda, da Escandinávia, vou ouvindo aquilo que vai me ensinando a prosseguir, a viver, e essa é a primeira relação, eu diria, com a música. A primeira eu diria ouvir, depois é compor. São os dois fios principais.

    Essa integração musical valoriza e destaca as origens do povo brasileiro, reconhecendo a imensa contribuição da diáspora africana para a cultura e a identidade nacionais. Os ritmos africanos, como o samba e o candomblé, constituem a espinha dorsal de muitos gêneros musicais brasileiros. Além disso, esta prática musical está intimamente ligada aos estudos pós-coloniais, desafiando certas narrativas que historicamente marginalizaram as culturas africanas. Ao incorporar elementos africanos na música, promove uma visão mais inclusiva e exacta da história e da cultura brasileiras, reconhecendo a diversidade e a riqueza das suas raízes.

    A proposta apresentada ao Ibermúsicas visava precisamente a apresentação em vivo, em Espanha e Portugal, de vários do seus álbuns já mencionados, Vida & Código, bem como temas musicais dos álbuns Maçalê; The Invention of Colour e Tempo & Magma. A turnê foi denominada Sons do pensamento, é foi uns concertos em que Tiganá desenvolveu a estética musical por trás de cada álbum lançado durante seus dez anos de carreira. Além dos shows, Tiganá e seus músicos realizaram em Serpa uma vivência artística de três dias para gravar canções no estúdio do centro cultural Musibéria. O objetivo desta turnê está em consonância com a abordagem musical que tem orientado toda a sua carreira: a própria convicção de pertencimento étnico afrocentrado, sobretudo, de referências africanas Bantu e sua presença no Brasil, e a importância de trabalhar com a centralidade das etnicidades negras afrodiaspóricas.

    “Não se trata exatamente de fazer uma pesquisa, digamos assim, proposital sobre uma determinada expressão cultural, de um determinado lugar do continente africano e a partir daí fazer música. Todas essas influências estão amalgamadas dentro e a partir daí existe uma expressão de uma exposição criativa. Se há um interesse de leitura de um determinado autor, se há o interesse por determinadas línguas, por provérbios de lugares diferentes, então tudo isso se junta, eu acho, pra que saia através da música.

    A importância do apoio do Ibermúsicas para a realização dessa turnê foi decisiva para que ela acontecesse, com a importância musical, cultural e histórica que isso implica: a possibilidade de que outras músicas brasileiras, mais difíceis de circular no continente europeu, pudessem ser recebidas, ouvidas e reivindicadas.

    “A assistência é à mobilidade oferecida pelo Ibermúsicas não só resultou em shows incríveis, com grande impacto e repercussão junto ao público. O Ibermúsicas é extremamente importante para o desenvolvimento do setor musical em países que participam do programa, pois oferece recursos financeiros e assistência à mobilidade para artistas, possibilitando que eles realizem shows em outros países e estabeleçam novas conexões e parcerias artísticas. Esse intercâmbio cultural é fundamental para o enriquecimento da música e da cultura em geral, além de contribuir para o fortalecimento das relações entre países da América Latina e da Península Ibérica.”

  • Colombia un Cartel contemporáneo

    Colombia un Cartel contemporáneo

    Título del proyecto: Colombia un Cartel contemporáneo
    País: Colombia
    Nombre del artista/agrupación: Nova et Vetera
    Línea de convocatoria: Ayudas al sector musical para la circulación en Iberoamérica
    Año de convocatoria: 2022

    Nova et Vetera é uma fundação cultural independente com sede na Colômbia, criada em 2012 e especialista em curadoria de música de vanguarda, que assume diferentes funções no campo das artes cénicas para a direção artística e programação de espectáculos contemporâneos. A partir da aliança estabelecida entre a Nova et Vetera e o Festival de Música Estranha de São Paulo, além do apoio do Ibermúsicas, realizou-se em dezembro de 2023 a terceira edição da série “Colômbia, um Cartel contemporâneo”, desta vez com destaque para a produção musical do compositor colombiano Eblis Álvarez.

    “Colombia un Cartel contemporáneo” é um festival de música e um seminário de reflexão criado pelo músico e gestor cultural colombiano Santiago Gardeazábal em torno da música colombiana e das diferentes visões e diálogos que esta suscita com a realidade social, académica e cultural do país. O evento foi um fórum de discussão sobre as culturas emergentes no domínio musical. Foi no âmbito de “Colombia un Cartel contemporáneo” que, juntamente com o seu curador, foram convidados a participar no “Festival Música Estranha” (Brasil), no âmbito das comemorações do seu décimo aniversário.

     

     

    “O Música Estranha tem-se afirmado como uma referência na cena da música experimental, música erudita contemporânea, arte sonora e multimédia no Brasil e na América Latina, revelando uma produção criativa a um público novo, diverso e conectado. Hoje, é o mais antigo festival do estado de São Paulo e um dos pioneiros na América Latina por seu conceito curatorial baseado no pós-gênero.

    A colaboração e proximidade entre os dois festivais e seus curadores —Thiago Cury, responsável pelo Música Estranha, e o já citado Santiago Gardeazábal— é de longa data: a participação de Gardeazábal na etapa de São Paulo, como parte do painel “Curadorias Ampliadas na América Latina 2021”, deu origem à oportunidade, para  “Colombia un Cartel contemporáneo”, de fazer a curadoria de um segmento da décima edição do Música Estranha. Neste sentido, a proposta envolveu um intercâmbio artístico e cultural a partir da obra do destacado músico e compositor colombiano Eblis Álvarez, acompanhado pelos músicos Natalia Merlano, Cesar Quevedo, Mario Galeano, Pedro Ojeda e Mateo Rivano. Num formato de micro-residência de uma semana em São Paulo, as obras e projetos do compositor foram retrabalhados com artistas brasileiros da cena musical experimental e indie/clássica de São Paulo durante o mês de junho de 2023. Nas palavras do próprio Santiago Gardeazábal:

    “O festival foi um espaço para partilhar o ímpeto criativo dos compositores colombianos e algumas das propostas sonoras mais arriscadas do nosso país, mas foi também o momento para discutir e enfrentar os desafios da afirmação de uma identidade colombiana inovadora para o futuro”.

     

     

    Para este tipo de colaboração, já não entre artistas individuais, mas entre colectivos ou festivais, a contribuição que o Ibermúsicas pode dar para estabelecer laços institucionais entre os países da Ibero-América é extremamente importante. 

    “Graças a esse apoio, fortalecem-se os laços de cooperação entre as agências Aqua Música (Festival Música Estranha) e Nova et Vetera, o intercâmbio entre músicos colombianos e brasileiros e a interação entre a produção musical colombiana e o público de São Paulo. Essas relações são de grande importância porque fortalecem os ecossistemas musicais locais e regionais. Projetos musicais de todas as regiões têm se beneficiado do apoio institucional e financeiro do Ibermúsicas, o que tem aumentado a experiência internacional de muitos grupos. Esta projeção tem sido uma motivação para o trabalho criativo no sentido em que apoia interações positivas que têm um impacto efetivo no desenvolvimento artístico”.

     

  • Modinhas – Canções Portuguesas dos séculos XVIII e XIX

    Modinhas – Canções Portuguesas dos séculos XVIII e XIX

    As modinhas são um gênero de canção lírica que surgiu em Portugal principalmente durante o século XVIII e parte do século XIX. São consideradas uma parte importante da tradição musical portuguesa e são conhecidas por seu caráter sentimental e melancólico, muitas vezes expresso em temas de amor não correspondido, saudade e desejo.

    As modinhas têm suas raízes na música popular portuguesa, mas ao longo do tempo foram modificadas para incorporar influências da música clássica europeia, como a ópera e a opereta italianas. De fato, é possível considerar como uma hipótese confiável que as modinhas compartilham semelhanças etno-musicais com a música de salão européia, especialmente a italiana e a austro-húngara. Durante o século XVIII, a ópera italiana e o estilo galante estavam em plena expansão na Europa, e essas formas musicais chegaram a Portugal, onde foram adaptadas e popularizadas entre a aristocracia. As modinhas refletem essa influência em sua estrutura melódica e tema sentimental. No entanto, o que torna esse gênero radicalmente português é o fato de que essa tradição, ligada à música acadêmica europeia, funde-se, ao chegar a Portugal, com a música popular, tanto na sua tradição oral quanto escrita – como as canções camponesas ou as composições dos trovadores medievais. Essas formas musicais caracterizavam-se pela simplicidade e pelo foco nos mesmos temas emocionais melancólicos, assim como as modinhas, para cujo desenvolvimento contribuíram.

    A modinha é frequentemente vista como precursora do fado e geralmente é executada com algum tipo de acompanhamento instrumental, que pode incluir violão, alaúde, piano ou viola. Esse gênero foi muito popular em Portugal e no Brasil, onde se misturou com outras formas musicais locais, contribuindo também para o desenvolvimento da música brasileira. 

    Liliana Coelho, soprano, e Isabel Calado, tecladista, dedicam-se à divulgação desse tipo de repertório português do final do século XVIII e da primeira metade do século XIX. Em particular, elas se especializaram na execução das chamadas modinhas a solo, cujo acompanhamento se limita a um instrumento de teclado. 

    Em particular, Coelho e Calado extraíram seu repertório de duas fontes principais:

    O Jornal de Modinhas, de vários compositores (Lisboa, 1792 e 1796), e a Coleção de Modinhas de Bom Gosto, composta por J. F. Leal e publicada em Viena em 1830.

    “Nosso recital, intitulado Modinhas: Canções nos Salões da Corte Portuguesa, foi realizado na Universidade Federal de Uberlândia e também incluiu obras para instrumento de teclado preservadas em manuscritos da segunda metade do século XVIII na Biblioteca Nacional, Lisboa, Portugal”. 

    O apoio solicitado ao Ibermúsicas permitiu a realização de dez concertos entre março e abril de 2023 na referida cidade de Uberlândia (Minas Gerais, Brasil). No entanto, a visita dos artistas portugueses não se limitou aos concertos:

    “Os recitais foram acompanhados de uma palestra na Universidade Federal de Uberlândia, seguida de uma mesa redonda na qual foram apresentados o repertório, seu contexto e as particularidades de sua interpretação. Essa sessão foi dirigida a músicos profissionais, estudantes e ao público em geral. O objetivo da mesa redonda e do debate foi compartilhar conhecimentos e experiências e criar redes duradouras baseadas na dualidade músico-pesquisador. Estávamos —e estamos— particularmente interessadas em preservar e disseminar o patrimônio cultural português e promover o intercâmbio de conhecimentos e práticas de desempenho.

    Programas como o Ibermúsicas são fundamentais para a divulgação de repertórios como o das modinhas. Entre outros motivos, porque promovem o intercâmbio cultural, a preservação e a revitalização de tradições musicais históricas e sua chegada e conhecimento ao público contemporâneo.

    “Graças ao apoio do Ibermúsicas, conhecemos artistas brasileiros e professores universitários da área de música, com os quais podemos construir pontes para o intercâmbio artístico e de conhecimento. A conferência foi muito importante, pois discutiu as influências europeias e africanas no desenvolvimento musical e cultural e compartilhou as diferentes perspectivas de pesquisadores e pesquisadoras brasileiros e portugueses sobre os mesmos temas, como a adequação dos sotaques portugueses em Portugal e no Brasil para esse tipo específico de repertório, ou a ampla circulação em Portugal no final do século XIX e início do século XX de partituras publicadas nas cidades do Rio de Janeiro ou São Paulo”.

  • Alex Alvear & Wañukta Tonic. Tour Colombia 2023

    Alex Alvear & Wañukta Tonic. Tour Colombia 2023

    Nascido em Quito em 1982, Alex Alvear é um compositor, arranjador, baixista e cantor equatoriano com uma vasta carreira. Além de ter colaborado na criação de grupos musicais como Promesas Temporales e Rumbasón, Alvear trabalhou como professor na Faculdade de Música da Universidade San Francisco de Quito e estudou no Berklee College of Music em Boston, especializando-se em composição e arranjos de jazz. Durante sua estada nos Estados Unidos, trabalhou com renomados artistas da música latina, como os percussionistas Orlando “Puntilla” Ríos, Anthony Carrillo e Daniel Ponce, e a conhecida cantora cubana Celia Cruz.

     

    A proposta apresentada ao Ibermúsicas por Alex Alvear & Wañukta Tonic consistia em uma turnê pela Colômbia que incluía uma série de shows em Bogotá e Cali. Vale ressaltar que o projeto incorporou, em cada cidade em que foi apresentado, a participação de pelo menos um artista local como convidado especial, a fim de fortalecer redes de trabalho e colaboração que pudessem ser sustentáveis ao longo do tempo. Também foram realizadas master classes sobre o tema de composição e arranjos musicais baseados em ritmos tradicionais equatorianos.

     

    Wañukta Tonic, seu projeto mais recente, busca revisitar a música tradicional equatoriana com base em um processo de reinterpretação resultante da fusão com elementos contemporâneos; isso envolve pegar ritmos e melodias populares e dar-lhes uma nova abordagem, combinando-os com novas tecnologias e sonoridades contemporâneas. O grupo integra duas gerações de músicos, baseando sua estética na ideia de um encontro sonoro entre a tradição andina e a vanguarda instrumental.

    “Este projeto é uma continuação do que venho fazendo ao longo de minha carreira. Uma salada de influências, estilos e texturas, buscando nessa mistura uma voz própria e, dentro desse ecletismo, marcar um selo muito equatoriano com ritmos, melodias ou motivos musicais que evocam nosso sabor e identidade, mas com uma nova abordagem. A turnê pela Colômbia é um convite para a germinação de duas culturas que coexistem com semelhanças muito mais próximas do que costumamos visualizar”.

    Sobre esse ponto mencionado por Alvear, é pertinente acrescentar que, historicamente, os vínculos musicais entre a Colômbia e o Equador sempre foram fortes, em grande parte devido à proximidade geográfica e à contínua interação cultural entre os dois países. Esses laços se manifestaram por meio de gêneros musicais compartilhados e da influência mútua de estilos tradicionais. Embora hoje os ritmos e as sonoridades da Colômbia e do Equador possam divergir devido à permeabilidade da música global e à evolução de suas respectivas cenas musicais, as colaborações estreitas e os intercâmbios culturais persistem. De certa forma, é razoável supor que, além das fronteiras físicas e simbólicas e da dinâmica e dos desenvolvimentos de cada país, o advento dos processos de intercâmbio digital facilitou a persistência de colaborações culturais binacionais, promovendo o intercâmbio de músicos e músicas e a celebração da diversidade artística da região.

     

    “O apoio do Ibermúsicas nos permitiu crescer e expandir nossos horizontes artísticos, além de facilitar as boas relações com instituições e gestores de outros países, como a Colômbia. Desde que o Equador se juntou ao Ibermúsicas em 2018, muitos artistas musicais foram beneficiados, e a interação com sua equipe sempre resultou em experiências muito gratificantes.”

  • Jaqueline Nova – Buh Records (Perú – 2022)

    Jaqueline Nova – Buh Records (Perú – 2022)

    Criação da Terra – Ecos Pulsantes de Jacqueline Nova
    Por Ana María Romano G. – Bogotá, 2022

     

    Ao longo da criação artística de Nova encontramos um grande fascínio pela voz humana, pelos meios eletrónicos e pelas combinações instrumentais mistas, ou seja, aquelas em que os instrumentais acústicos se entrelaçam com os meios eletrónicos. A obra Omaggio a Catullus possui esses três componentes. Abordou o trabalho vocal sobre um texto latino do poeta Catulo e, mais uma vez, interessou-se em tornar o texto compreensível por breves momentos, mantendo a ideia de não torná-lo inteligível através de mudanças bruscas ou lentas, dilatação ou contração e outros procedimentos que desmontam as palavras. Na partitura inicial, de 1972, o componente eletrônico contemplava a participação da transformação sonora em tempo real, porém ele a revisou em 1974 e nos ajustes descartou os processos eletrônicos em tempo real, muito provavelmente por dificuldades logísticas visto que a estreia estava marcada para fevereiro de 1975 e naquela época ela estava muito doente. Essas modificações na partitura original e o pedido enfático de vozes faladas explicam por que a apresentação ao vivo foi apresentada por uma companhia de teatro e não por um coral. O texto de Catulo confere à obra um caráter testemunhal, quase autobiográfico, permitindo que o desespero e a desilusão por diversas situações pessoais emerjam sem véu.

     

    A primeira vez que Nova morou em Buenos Aires foi entre 1967-1968, como bolsista do CLAEM. Lá ele descobriu um meio musical aberto à conversação e ao debate. O seu espírito curioso permitiu-lhe explorar de forma autodidata o meio eletroacústico desde muito cedo em Bogotá: por um lado, nos estúdios da estação HJCK fazia gravações e depois modificava-as com o equipamento de rádio; Por outro lado, em casa eu tinha dois gravadores de bobina aberta que também experimentei. É importante esclarecer que ela não descobriu a eletroacústica na Argentina, porém como aluna do CLAEM teve a oportunidade de trabalhar no Laboratório de Música Eletrônica em circunstâncias que não conhecia na Colômbia por possuir um espaço adequado exclusivamente para composição eletroacústica. fato que lhe permitiu atingir seu alto nível de refinamento técnico que, quando colocado em diálogo com suas buscas composicionais, a coloca como uma das principais figuras da música eletroacústica colombiana e latino-americana. Neste contexto compôs Opposition-Fusion (1968), a primeira das três obras eletroacústicas para suporte fixo do seu catálogo, outrora designada “para fita”. Neste trabalho a elaboração tímbrica está ligada ao comportamento espectral dos materiais gerados com os osciladores e os tiros dos microfones que se articulam buscando conectar ou separar de acordo com texturas, densidades ou espacialidade.

     

    Dez anos antes, em 1958, Nova chegou a Bogotá, depois de morar em Bucaramanga, cidade da família de seu pai. Estabeleceu-se na capital para estudar pianista no Conservatório Nacional de Música, porém, em 1963 concentrou-se na carreira de composição. Pertence a esse período inicial da sua formação Transições (1964-1965), obra em que aparecem timidamente investigações sólidas que com o tempo se revelarão sem reservas. Como explorações tímbricas envolvendo a harpa do piano ou ressonâncias através de diferentes usos do pedal. As temporalidades que permitem que o som se desenvolva para habitar e transformar o espaço ao mesmo tempo que emergem estruturas rítmicas muito precisas.

    Ou a participação de elementos aleatórios que anunciam a instabilidade como disposição essencial para a criação.

     

    Nova foi a primeira compositora a obter um diploma no Conservatório, o que não significa que antes não houvesse compositoras na atividade musical colombiana. Ao final dos estudos, em 1967, ganhou a bolsa para estudar no CLAEM. A partir desse momento, foram poucos os trabalhos que não envolvessem meios eletrônicos. Para ela, os recursos eletroacústicos tiveram que ser integrados ao universo sonoro. a música. criação contemporânea sem mistérios, como mais um material musical que pode dialogar organicamente com instrumentos acústicos. Outra de suas obras “Ditellianas” é Resonancias 1 (1968, revisada no ano seguinte em Bogotá). Aqui o piano é entrelaçado com sons eletrônicos e é construído sobre 7 estruturas com indicações tímbricas, sobretudo, cabendo a cada intérprete a decisão de como montar a obra, tendo apenas a duração geral da obra como indicação temporal. Mais uma vez abra as portas do acaso para alimentar a imaginação.

     

    Na mesma linha de organização a partir da aleatoriedade está Assimetrias, composta em seu primeiro ano no CLAEM. O trabalho é baseado em 7 estruturas que por sua vez contêm grupos que dão lugar a diferentes possibilidades combinatórias. Neste trabalho, como naqueles que envolvem aleatoriedade, os componentes fixos geralmente são os parâmetros de altura e intensidade para que quem interpreta ou dirige tome decisões. sobre os demais elementos e finalizar a composição da obra. A sua proximidade com o acaso é um aceno à surpresa, ao desconhecido, à curiosidade.

     

    Ao revermos hoje a vida de Nova poderíamos situá-la também como artista sonora ou interdisciplinar; ao longo da sua carreira participou em peças de teatro, instalações sonoras e esculturas, num oratório e num filme. Por outro lado, várias das suas obras “de concerto” contam com a intervenção de meios audiovisuais ou cénicos.

    Para esta publicação decidimos incluir o som da música que ele compôs para o filme Camilo el cura guerrillero, de Francisco Norden, pois nos aproxima da faceta de Nova relacionada ao contexto social e ideológico latino-americano do momento, ela conectou com a figura de Camilo Torres como personagem representativo dos discursos revolucionários atuantes na América Latina nas décadas de 60 e 70. A gravação da trilha sonora é monofônica e contrasta com as buscas pelo espacial que apareceram desde muito cedo em Nova (mesmo em obras acústicas). ), portanto a proposta aqui apresentada não modifica os materiais timbricamente ou espacialmente, apenas alguns volumes intervêm nas sobreposições dos fragmentos pertencentes a diferentes cenas do documentário.

     

    Nova vivia num ambiente hostil à mudança, ao debate e à discussão, hostil ao facto de ser uma mulher autónoma e lésbica. Empreendeu proezas que hoje a tornam pioneira, sem o ter proposto, apenas como resultado do compromisso, dedicação e paixão de uma criadora com a sua sociedade. Jacqueline Nova morreu em Bogotá de câncer ósseo. Sua morte trágica e precoce não só abreviou uma carreira em plena força criativa, como também afetou diretamente o desenvolvimento da música eletroacústica no país: após sua morte houve um grande silêncio – perto de 15 anos – na criação musical com mídia eletrônica. Nova desafiou um ambiente conservador e sobreviveu sozinha. Numa prática associada ao preconceito de ser executada por homens, foi uma mulher quem fortaleceu o uso das tecnologias na música colombiana. Apostas arriscadas que infelizmente custaram caro: o Nova foi rebaixado na época, mas seus ruídos conseguiram abalar e questionar as zonas de conforto do ambiente musical colombiano.

     

    O maravilhoso mundo das máquinas
    Por Jaqueline Nova
    Publicado originalmente na Revista Nova, N°4, Bogotá, julho-setembro de 1966

     

    Amplificadores, filtros, gravadores, microfones, cabos de audiofrequência, acoplamento universal, acoplamento de redução, polias, entradas, saídas, transformadores, osciladores, alto-falantes, controles, volume; elementos ajustados a uma determinada tensão; movimentos ordenados sucessivamente; atrito; luzes que acendem; forças que atuam; engrenagens móveis; vibrações. Estamos aqui no nível da experiência.

     

    Esta ação pré-determinada permite-nos entrar em contacto com o exterior; com um mundo “estático” (sem menosprezar o termo estático).

     

    No momento de “receber” essa impressão, o mundo estático ganha movimento; ele se torna diretamente participante de novas vibrações; de… “algo desconhecido”. As oscilações do pêndulo ainda não completaram 50 anos.

     

    Esse mundo estático ainda não capturou os parâmetros das obras de Alban Berg. Wozzeck odeia a palavra “langsam”; Os outros a adoram e a seguirão fielmente até que “as máquinas parem de funcionar”. O movimento retrógrado será sempre o seu lema; Diante do mundo dos valores, sempre ficará para trás.

     

    Esta forma, já existente, não revela ao homem que ele se prepara para uma viagem interplanetária; ao indivíduo que espera dentro de sua cápsula espacial em: 4-3-2-1- zero!!… Mais claramente, ao “indivíduo que vive no tempo”.

     

    Hoje “vivemos” num ambiente de tensão; de velocidade; do não lento, A NEGAÇÃO DO LENTO – DO Imóvel.

     

    Esse mundo inerte não quer ouvir o som produzido pelo funcionamento de uma betoneira; de uma britadeira; de uma furadeira; da passagem de um Diesel. Os guindastes são simples conjuntos de ferro e nada mais; A poderosa travessia de um jato pelo espaço é então uma chance?

     

    Se entrarmos na câmara onde está localizado um reator nuclear, há uma ideia de confinamento; Essa ideia, sendo semelhante à que temos dentro de um elevador parado, impressiona-nos; mas pelas máquinas que trabalham dentro da câmara.

     

    Absolutamente todos os seres humanos hoje usam uma máquina x; diariamente. Mas eles não querem observar isso; ou sentem pavor ao parar na frente de um deles. Porque? Porque… “até acordarmos depois de mortos, vemos que nunca vivemos realmente!” diz H. Ibsen. Por que, pergunto agora: o compositor de hoje, rodeado de máquinas, é olhado com curiosidade quando está prestes a trabalhar com algum objeto sonoro ou um gerador de alta frequência?

     

    A Terra está completamente submersa num campo magnético análogo ao fornecido por uma faixa magnética situada sobre o seu eixo de rotação. Dentro desse campo magnético está o mundo das máquinas, o mundo do compositor, do artista que se situa especificamente no momento atual. Fora desse campo, estão os tímidos; aquele que não decide participar da nossa luta.

     

    Esta repulsa do mundo inerte, pelos objectos e máquinas que nos rodeiam, é uma fixação no passado, como forma de protecção; É o medo do presente. Mais ainda, esse mundo quer tentar esquecer que vive – se é que vive – na segunda metade do século XX; Mas o que o consciente esquece, o inconsciente traz à tona.

     

    Tudo isto obriga o nosso pensamento a parar no fantástico poder produtivo de um mundo diferente: “o maravilhoso mundo das máquinas”.

  • Florencia Núñez (Uruguay)

    Florencia Núñez (Uruguay)

    “En esta gira patagónica 2023 logramos continuar con un trabajo de difusión y de creación de público en Argentina, con especial énfasis en el interior, además de las grandes capitales. La posibilidad de realizar esta gira nos permitió afianzar los vínculos construidos anteriormente y establecer nuevos, siempre con el objetivo de mantener la relación con Uruguay”, dice Florencia Núñez, beneficiaria de “Ayudas al Sector Musical para la Circulación en Iberoamérica 2022”

    Florencia Núñez realizó una serie de conciertos en la región patagónica con gran aceptación por parte del público debido a la identidad musical  de su propuesta. En cada concierto llevó mucho de su Rocha natal, de sus paisajes, su geografía y su cultura, en especial durante su participación en el Festival Internacional de Música de Bariloche (FIMBA), organizado desde 2019 por el Gobierno de Río Negro con el apoyo de la Municipalidad de Bariloche.

    La cantautora rochense, presentó un concierto de extraordinaria convocatoria en la Estación Araucana del Centro Municipal de Arte, Ciencia y Tecnología. Luego continuó con otros conciertos en  Villa la Angostura y Junín de Los Andes para concluir su gira con presentaciones en las ciudades argentinas de Córdoba, La Plata y Buenos Aires. Este puente tendido no fue simplemente entre Montevideo y Buenos Aires, que sin dudas es necesario construir. Fue un puente desde el interior de Uruguay hacia el interior de Argentina”.

    En 2021, Florencia Núñez recibió nuevamente el Primer puesto en el Premio Nacional de Música del Ministerio de Educación Cultura de Uruguay en la categoría Rock, pop y tendencias por su canción inédita “Lo canté”. Asimismo, la banda No te va gustar encargó a Núñez la producción artística y la versión de la canción “Nunca más a mi lado” por su décimo aniversario, para la que contó con la participación de grandes artistas uruguayas como Natalia Oreiro, Ana Prada y Agus Padilla, entre otras. Florencia participó del masivo show que diera la banda uruguaya en el Estadio Único de La Plata con una versión acústica de la mencionada canción, que está disponible en todas las plataformas digitales.

    Cantante y compositora rochense, las canciones de Florencia Núñez transitan por el pop luminoso y optimista con guiños al indie y al folk. Con tres discos en su haber, “Mesopotamia”, “Palabra clásica” y “Porque Todas Las Quiero Cantar: un homenaje a la canción rochense”, se posicionó como una de las voces femeninas a seguir dentro de la música uruguaya.

    Su primer LP, “Mesopotamia” (2014), fue editado por su sello independiente “La Nena Discos”. “Mesopotamia” fue galardonado como Mejor Álbum Indie en los Premios Graffiti 2015. También en 2015, recibió el Premio Nacional de Música que otorga el MEC y en enero de 2016 obtuvo el Premio Ibermúsicas en el 2do Concurso de Composición de Canción Popular.

    Florencia Núñez  compartió escenario con músicos de la talla de Estela Magnone, Laura Canoura, Franny Glass, No Te Va Gustar y Martín Buscaglia. Realizó los shows de apertura en Uruguay de José González, Carla Morrison, Julieta Venegas e Ismael Serrano. Participó en el Festival SXSW en Austin, Texas, en su edición de 2016, realizó varias presentaciones en México y Argentina y en 2017 se presentó en el Festival Abril Para Vivir en Granada, España. En 2017 editó -nuevamente a través del sello discográfico, su segundo disco, “Palabra clásica”, junto al productor Guillermo Berta y una destacada selección de músicos y arregladores. Palabra clásica tuvo su presentación oficial en La Trastienda Montevideo y en el Centro Cultural Kirchner de Buenos Aires. El disco le valió a Florencia una triple nominación a los Premios Graffiti a la música uruguaya 2018 en las categorías Mejor Album Pop, Mejor Solista Femenina y Mejor Compositor del año. Finalmente recibió este último galardón y se convirtió en la primera mujer en la historia de su país en recibir dicho reconocimiento. En octubre de 2020 lanzó su tercer trabajo discográfico junto al sello Bizarro. El disco nació como parte de la banda sonora del largometraje documental que produjo y dirigió: “Porque todas las quiero cantar: un homenaje a la canción rochense”. Porque todas las quiero cantar es su deseo por revivir aquella música que la hizo crecer. Un homenaje a la música de su departamento a través de la re versión e interpretación de cinco temas que marcaron su cancionero. La película fue prestrenada en el 38° Festival Cinematográfico Internacional del Uruguay en la sección Ensayo de orquesta y tuvo su estreno en cines en agosto de 2021, con gran éxito en taquilla y crítica.

     

    “Desde hace muchos años me honra mencionar al Programa Ibermúsicas entre mis premios y apoyos. Estoy y estaré siempre agradecida por el pilar que han significado en mi carrera y que, evidentemente continúa significando”, concluye Florencia Núñez.

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