Autor: Ricardo Gomez Coll

  • Orquesta EgC (Chile) no V Festival Internacional Sonamos Latinoamérica de Ribeirão-Preto, Brasil

    Orquesta EgC (Chile) no V Festival Internacional Sonamos Latinoamérica de Ribeirão-Preto, Brasil

    Título do projeto: Orquesta EgC en el V Festival Internacional Sonamos Latinoamérica de Ribeirão-Preto, Brasil
    Nome do artista/agrupação: Orquesta Ernesto Guarda Carrasco (EgC)
    País: Chile
    Linha de convocatória: Apoio à circulação de profissionais da música
    Ano da convocatória: 2024

    “Ibermúsicas é uma luz de esperança que nos ajuda a crescer e projetar um futuro melhor”. A frase, longe de ser um gesto retórico, condensa o sentido profundo da participação da Orquestra Ernesto Guarda Carrasco (EgC) no V Festival Internacional Sonamos Latinoamérica de Ribeirão Preto, Brasil, em 2025: uma experiência em que formação, circulação e construção de identidade musical se entrelaçam em um mesmo processo.

    Com mais de duas décadas de trajetória, a Orquestra EgC —integrada por crianças, adolescentes e jovens do Colegio Bicentenario de Música Juan Sebastián Bach de Valdivia— desenvolveu um projeto singular dentro do panorama latino-americano. Sob a direção do professor, compositor e pesquisador Alejandro Torres Farfán, o conjunto construiu um repertório original que articula a tradição sinfônica com sonoridades próprias das músicas chilenas e latino-americanas, incorporando instrumentos, ritmos e linguagens que ultrapassam o formato orquestral clássico. Essa busca não apenas define uma identidade estética, como também posiciona a orquestra em um campo mais amplo de práticas que, na América Latina, vêm repensando as relações entre educação musical, criação e território.

    Nesse contexto, a participação no V Festival Internacional Sonamos Latinoamérica —uma plataforma que promove o reconhecimento das músicas de raiz do continente e o diálogo intercultural entre artistas de diferentes países— constituiu a oitava turnê internacional da orquestra e um passo significativo em seu processo de consolidação. O projeto contemplou inicialmente o financiamento de passagens para parte da delegação; no entanto, a partir da articulação de recursos institucionais e comunitários, foi possível ampliar o alcance da turnê, permitindo a participação de um grupo maior de músicos e docentes.

    A turnê ocorreu em novembro de 2025 e incluiu um concerto prévio em Valdivia (13 de novembro), como instância de preparação e vinculação com o público local, seguido por uma série de apresentações em Ribeirão Preto nos dias 18, 19 e 21 de novembro, no âmbito do festival. A orquestra realizou múltiplos concertos diante de públicos numerosos, além de atividades de mediação e extensão em espaços educativos, reforçando sua dimensão pedagógica. Nesse contexto, a música operou não apenas como performance, mas como ferramenta de encontro entre infâncias, culturas e territórios diversos.

    Para além do estritamente artístico, o projeto mobilizou uma série de dimensões que ampliam seu alcance: a perspectiva de gênero —presente na convivência e na distribuição de funções dentro da orquestra—, a inclusão de estudantes com diferentes capacidades, o trabalho com infâncias e a reflexão em torno da sustentabilidade, vinculada ao contexto ecológico de Valdivia como cidade-humedal. Do mesmo modo, o repertório, baseado em músicas de raiz latino-americana e na integração de elementos de povos originários, permitiu estabelecer pontes simbólicas com outras tradições presentes no festival, reforçando um sentido de pertencimento regional.

    Em termos de projeção, a experiência gerou novas redes de contato com músicos, festivais e instituições, possibilitando o planejamento de futuras turnês —entre elas, um novo percurso pelo Brasil previsto para 2027— e consolidando vínculos que ultrapassam a temporalidade do evento. Esse tipo de circulação, sustentada ao longo do tempo, é fundamental em um contexto em que as oportunidades de internacionalização para projetos formativos latino-americanos são limitadas.

    Nesse cenário, o apoio do Ibermúsicas torna-se estrutural. Não apenas pelo financiamento da mobilidade, mas também por sua capacidade de ativar processos mais amplos de desenvolvimento artístico, educativo e comunitário. Como sintetiza a própria equipe: “Ibermúsicas é um pilar fundamental, já que são muito poucos os projetos de saídas internacionais para chilenos”. Na experiência da Orquestra EgC, esse apoio não apenas tornou possível a realização de uma turnê, mas também contribuiu para consolidar um modelo de trabalho em que a música se configura como espaço de formação, criação e projeção coletiva no âmbito latino-americano.

  • Los Frutantes (Chile) – Turnê “Como as berinjelas” por Alemania

    Los Frutantes (Chile) – Turnê “Como as berinjelas” por Alemania

    Título do projeto: Los Frutantes em Berlim, Alemanha. Turnê “Como las berenjenas”.  
    Nome do artista/agrupação: Los Frutantes  
    País: Chile  
    Linha de convocatória: Apoio à circulação de profissionais da música  
    Ano da convocatória: 2024  

    Em Berlim, uma cidade atravessada por camadas de história, migração e experimentação cultural, uma banda chilena decidiu cantar para as infâncias sobre frutas, verduras e sustentabilidade. No entanto, o que poderia parecer, à primeira vista, uma proposta lúdica ou pedagógica limitada revela-se rapidamente como algo mais complexo: um projeto artístico que compreende a música como ferramenta de transformação social. Assim se apresenta Los Frutantes, agrupação oriunda de Santiago do Chile que, ao longo de quase uma década de trajetória, desenvolveu uma linguagem própria no cruzamento entre música infantil, performance e educação alimentar.  

    Formada por músicos que se apresentam ao vivo caracterizados como frutas e verduras —em diálogo com vocalistas que conduzem a narrativa cênica—, a banda articula uma proposta que combina entretenimento, consciência ecológica e formação de hábitos saudáveis. Suas canções, como as do espetáculo Como las berenjenas, não apenas abordam a alimentação a partir de uma perspectiva lúdica, como também promovem práticas concretas como a compostagem, a reciclagem e a redução do desperdício. Nesse sentido, seu trabalho pode ser inserido em uma tradição mais ampla de projetos latino-americanos que, a partir da música para as infâncias, buscam incidir sobre problemáticas sociais contemporâneas, dialogando tanto com pedagogias críticas quanto com práticas artísticas comunitárias.  

    A turnê Como las berenjenas, em Berlim —realizada em setembro de 2025 com o apoio do Ibermúsicas—, constituiu um passo decisivo na internacionalização do projeto. Durante sua estadia em Berlim, a banda realizou dois concertos —nos dias 19 e 20 de setembro— diante de públicos que superaram mil pessoas em um dos eventos, no âmbito de celebrações como a Fonda La Coliguacha e atividades vinculadas à comunidade chilena residente na Alemanha. A essas apresentações somou-se um espaço de diálogo em formato de podcast com estudantes de uma escola bilíngue (Hausburgschule), onde Los Frutantes compartilharam seu processo criativo e refletiram junto a crianças sobre a relação entre música, alimentação e meio ambiente. Essa dimensão pedagógica —central em sua proposta— foi reforçada pela adaptação de parte do repertório ao idioma alemão, gerando um espaço de intercâmbio cultural que ultrapassou a lógica unidirecional do concerto.  

    Um dos aspectos mais significativos da turnê foi, precisamente, sua capacidade de inserção em comunidades migrantes. A interação com famílias latino-americanas residentes em Berlim, assim como com artistas locais e gestores culturais, permitiu não apenas ampliar o alcance do projeto, mas também ativar redes de colaboração futuras.  

    Em termos de projeção, a experiência abriu novas oportunidades tanto no âmbito artístico quanto educativo. O contato com organizadores de eventos e coordenadores acadêmicos na Alemanha lançou as bases para futuras turnês e projetos em escolas, voltados a aproximar a cultura latino-americana das infâncias em contextos migratórios. Ao mesmo tempo, o interesse de músicos e gestores locais pela proposta de Los Frutantes evidencia a possibilidade de consolidar um circuito internacional para a música infantil latino-americana, um campo ainda pouco explorado em termos de circulação global.  

    Nesse contexto, o apoio do Ibermúsicas mostrou-se determinante. Não apenas permitiu financiar os deslocamentos internacionais —condição indispensável para a realização da turnê—, mas também possibilitou a ativação de uma série de processos que vão além do evento pontual: a criação de redes, a abertura de novos mercados e a consolidação de uma prática artística com impacto social. Como destacam desde o próprio projeto, a experiência em Berlim “marcou um ponto de inflexão em nosso desenvolvimento profissional, fortalecendo o compromisso com a música como ferramenta de transformação e conexão social”.  

    Assim, a turnê Como las berenjenas não apenas levou canções a outro continente: transportou uma forma de compreender a música como espaço de encontro, aprendizagem e transformação cultural. Nesse percurso, Los Frutantes não apenas ampliaram seu público, mas também reafirmaram a potência de uma cena latino-americana que, mesmo em suas expressões mais lúdicas, continua construindo sentidos profundamente políticos e comunitários.  

  • Michael Pipoquinha Quinteto (Brasil) – Turnê europeia por Suíça, Irlanda e Áustria

    Michael Pipoquinha Quinteto (Brasil) – Turnê europeia por Suíça, Irlanda e Áustria

    Título do projeto: Michael Pipoquinha Quinteto  
    Nome do artista/agrupação: Michael Pipoquinha Quinteto  
    País: Brasil  
    Linha de convocatória: Apoio à circulação de profissionais da música 
    Ano da convocatória: 2024  

    Michael Pipoquinha é um reconhecido baixista brasileiro, nascido no interior do Ceará, que vem construindo uma sólida carreira, posicionando-se como uma das figuras mais destacadas da nova geração da música instrumental. Iniciou a sua formação musical aos sete anos na guitarra e logo migrou para o baixo elétrico. Aos doze anos já se apresentava profissionalmente, e aos treze alcançou projeção nacional na televisão brasileira. Desde então, sua carreira adquiriu dimensão internacional, com apresentações nas Américas, Europa, Ásia e África, além de uma forte presença digital que ampliou seu alcance. Seu virtuosismo tem sido amplamente reconhecido por figuras de referência do instrumento, consolidando-o como um expoente central do baixo elétrico contemporâneo, em diálogo com tradições como o jazz e a música brasileira.  

    Com o apoio do Ibermúsicas, o Michael Pipoquinha Quinteto realizou uma turnê europeia que incluiu apresentações em países como Suíça, Irlanda e Áustria, em espaços de relevância para a música instrumental e o jazz. Entre os destaques do percurso está sua participação no Sligo Jazz Project (Irlanda), um reconhecido festival internacional que combina concertos, workshops e masterclasses, bem como sua apresentação no La Spirale Jazz Club, em Friburgo (Suíça), um dos palcos mais prestigiados do circuito jazzístico do país. A turnê também incluiu apresentações no âmbito do ciclo Musig im Pflegidach, em Muri, na Suíça. Em termos de repercussão, a participação do artista foi destacada em plataformas culturais e meios de comunicação locais, que sublinharam tanto seu virtuosismo técnico quanto a potência de sua proposta musical híbrida. Por sua vez, o Ibermúsicas destacou a relevância desta turnê no fortalecimento da circulação internacional da música brasileira.  

    É interessante notar que o projeto artístico de Michael Pipoquinha se insere em uma busca que articula tradição e contemporaneidade, em sintonia com uma rica tradição da música instrumental brasileira que soube integrar virtuosismo técnico, experimentação e diálogo com o jazz, como se observa nas trajetórias de Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti e Hamilton de Holanda. Nesse contexto, sua proposta combina repertório autoral —proveniente de seu álbum Um Novo Tom— com clássicos do jazz e da música brasileira, projetando essa herança para uma linguagem contemporânea atravessada pela improvisação e pelo cruzamento de gêneros.  

    Assim, sua abordagem composicional parte de uma lógica aberta e sensorial: como ele mesmo afirma, “estou atento às melodias que chegam até mim”, uma prática que privilegia a intuição e o desenvolvimento orgânico das ideias musicais. Essa perspectiva se traduz em uma proposta que transita por gêneros como bebop, groove, soul e world music, configurando uma experiência sonora que possibilita cruzamentos culturais e espaços de improvisação compartilhada. Ao mesmo tempo, sua concepção pedagógica e artística reforça essa dimensão: “Todo mundo tem música dentro de si”, afirmou em entrevista à Bass Magazine, sublinhando uma visão inclusiva da criação que enfatiza o desenvolvimento individual dentro de uma linguagem comum.  

    Essa combinação entre virtuosismo técnico, abertura estética e vocação para o intercâmbio intercultural fundamenta a relevância de sua participação em circuitos internacionais e justifica o apoio do Ibermúsicas à mobilidade do projeto, na medida em que seu trabalho não apenas difunde a música brasileira contemporânea, mas também gera instâncias concretas de diálogo artístico em contextos globais. O próprio Pipoquinha destaca: “depois de mais de quinze anos em turnê pela Europa com diferentes formações, poder levar pela primeira vez minha banda original —os músicos que fazem parte de todo o meu processo criativo— foi fundamental, e isso só foi possível graças ao apoio do Ibermúsicas, que viabilizou nossa mobilidade e a realização desta turnê.” 

  • Luana Flores (Brasil) – Nordeste Futurista – Tour Latina 2025 por Chile e Argentina

    Luana Flores (Brasil) – Nordeste Futurista – Tour Latina 2025 por Chile e Argentina

    Título do projeto: Turnê Latina 2025 – Luana Flores – Nordeste Futurista  
    Nome do artista/agrupação: Luana Flores
    País: Brasil  
    Linha de convocatória: Apoio à circulação de profissionais da música
    Ano da convocatória: 2024  

    Em dezembro de 2025, a artista brasileira Luana Flores apresentou na América Latina seu projeto Nordeste Futurista, em uma turnê que acabou se configurando como uma instância-chave de reconfiguração artística e territorial. Inicialmente concebida como uma etapa de internacionalização nos Estados Unidos, a proposta foi posteriormente reformulada, direcionando sua circulação para o Chile e a Argentina. Esse deslocamento, longe de representar uma perda, possibilitou uma inserção mais profunda no cenário cultural latino-americano, fortalecendo redes de colaboração, produção e circulação regional que se mostraram altamente frutíferas.  

    Nascida em João Pessoa (Paraíba), Luana Flores —beatmaker, DJ, percussionista, cantora e compositora— insere-se em uma nova cena brasileira que articula tradição e experimentação a partir de uma perspectiva situada. Seu trabalho funde ritmos da cultura popular nordestina —como o coco e o maracatu— com a música eletrônica contemporânea, em uma busca que, segundo a própria artista, visa “ressignificar o tradicional no contexto urbano e digital”. Nesse cruzamento entre ancestralidade e tecnologia, sua proposta também aborda problemáticas contemporâneas relacionadas ao gênero, à territorialidade e à resistência cultural.  

    A turnê —primeira incursão da artista no circuito latino-americano— ocorreu entre 5 e 11 de dezembro de 2025 e incluiu apresentações em Santiago de Chile, no evento El Clan – Experiencia Andestral, e em Valparaíso, além do encerramento em Buenos Aires, no âmbito da festa Por amor al baile. A essas apresentações somaram-se instâncias de criação e formação, como sessões de gravação em Santiago com a artista local Madela e em Rosário (Argentina) com músicos da cena independente, consolidando um processo de intercâmbio artístico que foi muito além do formato de concerto. Nesse sentido, sua proposta cênica —definida pela crítica como uma experiência que cruza “ancestralidade, tecnologia e narrativa futurista”— projeta-se como um dispositivo de conexão entre territórios e linguagens.  

    Mais do que uma circulação pontual, o projeto possibilitou a construção de novas redes profissionais e artísticas na região, incluindo vínculos com programadores, festivais e instituições culturais, bem como a geração de material colaborativo com artistas locais que continuará a se desenvolver em futuros lançamentos. Nesse contexto, o apoio do Ibermúsicas mostrou-se fundamental para a realização da turnê, ao permitir a mobilidade internacional e sustentar a viabilidade do projeto. Como sintetiza a própria Luana: “a ajuda concedida pelo Ibermúsicas foi fundamental para a concretização do projeto, possibilitando os deslocamentos, as apresentações e as colaborações com artistas locais, além de fortalecer redes e ampliar minha presença internacional”.  

  • Juana Aguirre (Argentina) – Turnê México 2025

    Juana Aguirre (Argentina) – Turnê México 2025

    Título do projeto: Juana Aguirre
    Nome do artista/agrupação: Juana Aguirre
    País: Argentina
    Linha de convocatória: Apoio à circulação de profissionais da música
    Ano da convocatória: 2024

    “Fazer um disco de forma intuitiva é sempre uma oportunidade porque, no próximo, você já conta com um antecedente: vai acumulando informações e isso modifica a sua forma de fazer. Neste disco, foi libertadora a ideia de não ter que responder a nenhuma formalidade. Agora estou começando a me interessar pela desconstrução da canção. Ganhei mais liberdade no processo de criação, sem me questionar tanto se estava certo ou errado. Eu tinha muito respeito por produzir minha música e, neste caso, me propus a fazê-lo à minha maneira.”

    O disco ao qual Juana Aguirre se refere —e que motivou a turnê de apresentação pela América Latina, composta por cinco concertos em Quito, Cidade do México, Querétaro, Guadalajara e Cidade da Guatemala, entre 10 e 24 de outubro de 2025, com o apoio do Ibermúsicas— é, precisamente, Anónimo.

    A turnê de apresentação de Anónimo teve como objetivo fortalecer a circulação regional da obra e promover a presença da música argentina em novos mercados latino-americanos. Além disso, foi realizada uma atividade especial de escuta do disco junto a fãs e à imprensa local na loja de discos 99 Records, na Cidade do México. Em conjunto, essas ações consolidaram a projeção regional de Juana Aguirre, geraram vínculos com artistas e programadores locais e ampliaram sua base de público em mercados estratégicos para o desenvolvimento futuro do projeto.

    Cantora, produtora e música argentina com projeção internacional, Juana Aguirre entende sua prática artística em movimento. Viveu na Nova Zelândia aos 14 anos e se estabeleceu na Bolívia aos 19, experiências que marcaram sua relação com a viagem e o desenraizamento: “Adoro sair em turnê. Acho ótimo e, sobretudo depois de ter ficado confinada fazendo o disco, ter a oportunidade de sair para tocar é incrível e faz muito sentido. Depois de ter vivido em muitos lugares diferentes, fiquei com essa sensação de desenraizamento na qual me sinto confortável. Os concertos pela América Latina são uma oportunidade para ir explorando a busca por coisas novas. Sair um pouco da sensação de estar sempre no mesmo lugar, e a rotina que implica viajar, faz com que você volte com uma grande quantidade de novas informações para somar ao que já traz consigo.”

    Entre os resultados alcançados nesses concertos, destacam-se a visibilidade do novo repertório na mídia latino-americana, o fortalecimento da equipe de trabalho em um contexto internacional e a abertura de novas oportunidades de colaboração para futuras turnês e festivais. Nesse sentido, a colaboração do Ibermúsicas —orientada a facilitar a mobilidade de músicos pelo continente e a fomentar os vínculos regionais que dela se derivam— mostra-se fundamental, como destaca a própria artista: “Graças a esse apoio, vários contatos com programadores e artistas locais foram estabelecidos para futuras colaborações, não apenas entre músicos, mas também com produtores e espaços culturais dos países em que nos apresentamos, o que sem dúvida poderá resultar em novos projetos.” 

  • Ensamble Barroco Orion 415 (Argentina) – Prisma, Reflejo y Transformación en México

    Ensamble Barroco Orion 415 (Argentina) – Prisma, Reflejo y Transformación en México

    Título do projeto: Turnê 2025 Ensamble Barroco Orion 415  
    Nome do artista/agrupação: Ensamble Barroco Orion 415  
    País: Argentina  
    Linha de convocatória: Apoio à circulação de profissionais da música
    Ano da convocatória: 2024 
     

    Os grupos de reinterpretação de música barroca na Argentina ocupam um lugar central na recuperação, difusão e ressignificação de um repertório que, durante muito tempo, permaneceu relegado frente ao cânone romântico e sinfônico. Desde o final do século XX, conjuntos como Capilla del Sol, Ars Instrumentalis, La Barroca del Suquía e Buenos Aires Antigua vêm impulsionando uma prática historicamente informada, incorporando instrumentos de época e critérios interpretativos vinculados à pesquisa musicológica.  

    Esse movimento não apenas revitaliza obras de compositores europeus do barroco, mas também tem sido fundamental para redescobrir o patrimônio colonial latino-americano, especialmente o das missões jesuíticas, integrando uma dimensão local e latino-americana à tradição barroca. Nesse cruzamento entre rigor histórico e criatividade contemporânea, esses grupos configuram uma cena dinâmica que dialoga com tendências internacionais ao mesmo tempo em que constrói uma identidade própria no campo da música antiga.  

    Nesse contexto, a importância do Ensamble Barroco Orion 415 não pode ser ignorada. Formado por Elías Gurevich no violino, Marcelo Massun no violoncelo e Igor Herzog no alaúde —com arranjos composicionais de Alex Nante—, o conjunto argentino vem trabalhando na articulação entre passado e presente, construindo pontes que buscam o diálogo entre a interpretação de obras emblemáticas do barroco —empregando técnicas filológicas e interpretativas baseadas em tratados do século XVIII e utilizando instrumentos com cordas de tripa e arcos de época— e a interação entre essa tradição musical —manifestada sobretudo nas obras de Bach, Vivaldi e Corelli— e dois dos compositores argentinos mais destacados da atualidade: Alex Nante e Gerardo Jerez Le Cam.  

    A colaboração proporcionada pelo Ibermúsicas destinou-se a cobrir despesas de mobilidade para a participação do Ensamble em dois concertos que contaram com grande público —além de uma masterclass—: o primeiro, realizado na Sala Huehuecóyotl da Faculdade de Música (FAM) da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), e o segundo, na Sala Carlos Chávez do Centro Cultural Universitário, também da UNAM, e ambos na Cidade do México. O objetivo central do projeto foi criar uma ponte artística e pedagógica entre Argentina e México, centrada na música barroca e em seu diálogo com a criação contemporânea. Em particular, os concertos serviram como espaço para a apresentação do mais recente álbum do ensamble, intitulado Prisma, além da estreia das obras vencedoras de um concurso de composição organizado pela FAM—UNAM em colaboração com o próprio ensamble e a argentina Universidade Nacional das Artes (UNA).  

    “Há 40 anos eu já tocava bastante Vivaldi” —conta Elías Gurevich, atualmente primeiro violino da Orquestra Filarmônica do Teatro Colón—, “mas o que se tocava antes não tem nada a ver com o que se toca hoje. O mundo mudou. A maneira de tocar o arco mudou muito. Agora, a partir das revisões historicistas na música, tudo é diferente. Por exemplo, ao incorporar o alaúde, buscamos mudar um pouco a perspectiva; assim, a música começa a ser vista como uma paisagem.” De fato, como aponta Gurevich, longe de ser um repertório fixo, a música antiga se redefine constantemente a partir de novos olhares interpretativos, nos quais cada gesto historicista não restaura um passado imutável, mas o reativa como uma experiência viva e em transformação.  

    Em relação ao apoio proporcionado pelo Ibermúsicas, o próprio Gurevich afirma: “Foi fundamental. Em termos práticos, nosso ensamble não teria podido desenvolver essa atividade pedagógica musical sem o apoio do Ibermúsicas. Simplesmente não teria sido possível.”  

  • Começa a criação de uma obra musical em colaboração entre o compositor Nuno da Rocha (Portugal), o guitarrista Fabrício Mattos (Brasil) e a poetisa Rishika Williams (Inglaterra – Índia – Nigéria)

    Começa a criação de uma obra musical em colaboração entre o compositor Nuno da Rocha (Portugal), o guitarrista Fabrício Mattos (Brasil) e a poetisa Rishika Williams (Inglaterra – Índia – Nigéria)

    Residência artística em Londres (UK), acolhida pela WGC — Worldwide Guitar Connections para criação de “The Rape (From Kissed Do Not Tell)”, uma nova obra de Nuno da Rocha, para voz e duas guitarras (eléctrica e clássica), com texto da poetisa Rishika Williams. A obra terá como intérpretes o próprio compositor (Nuno da Rocha) na guitarra eléctrica, o guitarrista Fabrício Mattos e a própria autora do texto, Rishika Williams.

    O projecto propõe a criação de uma obra musical em colaboração entre o compositor Nuno da Rocha (Portugal), o guitarrista Fabrício Mattos (Brasil) e a poetisa Rishika Williams (Inglaterra/Índia/Nigéria). A composição de uma obra para duas guitarras (clássica e eléctrica) e récita, baseado em uma secção de um poema épico de mesmo título de Williams, será um marco significativo na trajetória dos três artistas, assim como do WGC – Worldwide Guitar Connections, projeto fundado em 2011 e liderado por Mattos. A obra original e ainda não publicada, de mais de duzentas páginas, retrata, com enorme riqueza formal, experiências de violência sexual sofridas por Williams quando ainda adolescente na Nigéria.

    A adaptação musical de uma secção desta obra, feita com grande sensibilidade e responsabilidade sob o tecto conceptual da WGC — Worldwide Guitar Connections, ajudará a alçar a guitarra a um patamar de maior relevância sociocultural no contexto de criação artística no século XXI. Assim, o poema de Williams passará a habitar uma nova dimensão estética e conceptual, de onde as palavras sairão ainda mais fortalecidas em seu contexto simbólico. A obra poética de Rishika Williams aborda os bloqueios psicológicos e sociais sofridos por pessoas em situação de fragilidade emocional causada por traumas e violência.

    Nuno da Rocha é compositor e intérprete português, com um trabalho situado entre a música contemporânea, a performance experimental e a criação interdisciplinar. A sua prática artística explora modelos de altura não-exacta, a relação entre notação, corpo e escuta, e o cruzamento entre texto, espaço e som. Doutorado em Composição pela Royal Academy of Music, tem colaborado com intérpretes, ensembles e instituições em Portugal e no estrangeiro.

    Fabricio Mattos é guitarrista clássico e investigador em performance musical, com uma vasta carreira internacional como solista, músico de câmara e curador. Apresentou-se na Europa, Américas, Ásia e África, sendo fundador do projecto Worldwide Guitar Connections, apresentado em mais de 25 países. Distinguido com vários prémios, entre os quais o Julian Bream Award, é doutorado (PhD) em Performance Musical pela Royal Academy of Music. A sua investigação centra-se na relação entre espaço, disposição performativa e experiência artística, questionando modelos históricos de performance.


    Rishika Williams é poetisa e performer, desenvolvendo uma prática artística que cruza escrita e performance vocal. O seu trabalho aborda temas como diáspora, memória, violência e identidade fragmentada, tendo sido amplamente publicado em antologias, revistas e edições independentes. A sua obra foi seleccionada e distinguida em vários prémios literários no Reino Unido. Apresenta-se regularmente em contextos literários, artísticos e institucionais a nível internacional, incluindo eventos ligados às Nações Unidas, combinando intensidade lírica com uma forte presença política e corporal.

    Esta proposta foi premiada na linha de Apoio a artistas e pesquisadores para residências do Programa Ibermúsicas, convocatória 2025.

    • Agosto e setembro na WGC — Worldwide Guitar Connections, Londes, UK

  • O artista de hip hop peruano e rapper Pedro Mo realizará uma ampla turnê europeia

    O artista de hip hop peruano e rapper Pedro Mo realizará uma ampla turnê europeia

    O projeto de turnê de Pedro Mo pela Europa busca difundir uma proposta artística que combina rap, identidade andina e ativismo social. Por meio de métricas e flows diversos, integra samplers e sonoridades do Peru e dos Andes, construindo uma ponte entre a cosmovisão ancestral e as realidades urbanas contemporâneas. A turnê contempla apresentações em espaços comunitários e profissionais de cidades europeias, além de oficinas e encontros com o público, promovendo o diálogo intercultural. O projeto se apresenta como uma plataforma de visibilidade para o rap peruano e uma contribuição para o fortalecimento das redes artísticas latino-americanas no exterior.

    Artista de hip hop peruano e rapper desde o ano 2000, Pedro Mo aborda temáticas sociais, políticas e culturais a partir da identidade andina e da marginalidade urbana. Sua música influenciou diferentes gerações de rappers. Conta com 18 discos como MC e outros 20 como produtor. Seu trabalho como ativista, fundando, impulsionando e participando de diversos processos organizativos por meio do hip hop, é vasto. É um educador popular multidisciplinar, tendo o sikuri, o rap e o cajón como suas principais ferramentas de expressão. Atualmente dirige e coordena atividades na Yachay Punku Casa Cultura.

    Esta turnê européia de Pedro Mo é possível graças ao suporte  do Programa Ibermúsicas, por meio de sua linha de Apoio à Circulação de Profissionais da Música, convocatória 2025.

    • 28 de agosto: Lisboa, Portugal
    • 29 de agosto: Barcelona, Espanha
    • 3 de setembro: Genebra, Suíça
    • 5 de setembro: Paris, França
    • 10 de setembro: Colônia, Alemanha
    • 12 de setembro: Londres, Reino Unido
    • 16 de setembro: Hamburgo, Alemanha
    • 18 de setembro: Berlim, Alemanha
    • 20 de setembro: Madri, Espanha
    • 25 de setembro: Basileia, Suíça
    • 27 de setembro: Zurique, Suíça
    • 2 de outubro: Turim, Itália
    • 3 de outubro: Milão, Itália
    • 4 de outubro: Florença, Itália

  • Do México chega o podcast “Corazón de Voz”

    Do México chega o podcast “Corazón de Voz”

    “Corazón de Voz” é uma série digital em formato de podcast que resgata, celebra e projeta a memória das vozes femininas na Ibero-América. Por meio de cinco episódios dedicados a países ibero-americanos como México, Panamá e Cuba, a série entrelaça história, testemunho e canto contemporâneo para mostrar como as mulheres marcaram a evolução musical, preservaram tradições e transformaram a maneira como a voz é compreendida, não apenas como instrumento, mas como força identitária, social e cultural. Paralelamente, será realizada a oficina comunitária “Sua Voz como Raiz”.

    “Corazón de Voz” é um projeto realizado pela cantora mexicana Ade Ortega, pela cantora panamenha Silvia La Grande e pela cantora cubana Elena Barreto.

    Ade Ortega é cantora mexicana, nascida em Zitácuaro, Michoacán. É graduada em Execução Musical – Canto pela Escola de Belas Artes de Toluca. Intérprete de repertório clássico e de música popular, complementou sua formação com diversos cursos, entre eles: Técnica Vocal sobre o Funcionamento Científico e Tangível (2015), Interpretação para Cantores, Certificação como Vocal Coach (2024) e formação em Análise Acústica da Voz (2024). Fez parte da Companhia Lírica Los Metiches, um conjunto coral especializado na música mexicana do século XIX. Foi integrante do Coro de Câmara da Universidade Autônoma do Estado do México e participou como voz principal do grupo Jazzsontitlán. Atualmente integra a banda de jazz In Blosom Band, dirige seu próprio Vocal Studio e é fundadora da Ama Sing, um espaço dedicado ao treinamento vocal funcional.

    Silvia A. Luzcando Lamboglia, conhecida artisticamente como Silvia La Grande, é uma cantora panamenha descendente da reconhecida dinastia musical Lamboglia e neta do pianista mestre Tille Lamboglia. Desenvolveu uma sólida trajetória como vocalista e backing vocal em gêneros como salsa, merengue, bolero, balada, bachata, soca, calipso e música crioula peruana, além de atuar com grupos nacionais. Iniciou sua carreira no grupo Sabor Tropical e, posteriormente, consolidou sua projeção artística com Samuel Archer & Caribbean Sweet Band. Fez parte da Orquestra Salsa Roja e colaborou com grupos como La Orquesta Real, Orquesta Mamey, Orquesta Garison e Feedback Project. Sua trajetória foi reconhecida com importantes prêmios internacionais.

    Elena Barreto é uma cantora cuja voz se constrói como memória viva, profundamente marcada pela tradição cubana, pela cena do cabaré e pela experiência do exílio. Nascida no Panamá e criada em Cuba em uma família de músicos, sua formação transita da dança ao canto, desenvolvendo uma musicalidade rítmica e orgânica. Essa raiz se reflete em seu domínio do bolero, do son, da rumba e da guaracha, nos quais o pulso interno orienta sua interpretação. Sua trajetória inclui a participação no Cuarteto de Voces en Movimiento, no emblemático Cuarteto de Aida e em palcos icônicos como o Cabaret Tropicana.

    Esta proposta foi contemplada na Convocatória 2025 do Programa Ibermúsicas, na linha “Apoio a Projetos Virtuais”.

    • Data de lançamento: a partir de 26 de agosto.

  • A regente chilena Alfonsina Torrealba aperfeiçoará sua técnica na Itália com o destacado maestro Carlos Riazuelo

    A regente chilena Alfonsina Torrealba aperfeiçoará sua técnica na Itália com o destacado maestro Carlos Riazuelo

    A regente chilena Alfonsina Torrealba foi selecionada para realizar um programa intensivo de aperfeiçoamento na Sicília, Itália, sob a orientação do renomado maestro venezuelano-espanhol Carlos Riazuelo. Este marco internacional conta com o apoio do Programa Ibermúsicas e do Ministério das Culturas, das Artes e do Patrimônio do Chile, e servirá como preâmbulo técnico para dois importantes projetos artísticos que a regente liderará em seu retorno ao país.

    Durante seu programa de aperfeiçoamento, Torrealba trabalhará no aprofundamento do repertório sinfônico do romantismo e do impressionismo, com o objetivo de adquirir ferramentas fundamentais para abordar obras de grande complexidade técnica e expressiva. A escolha do maestro Riazuelo não é casual, já que sua figura representa uma ponte cultural entre a tradição europeia e a vivência latino-americana, ideal para os objetivos da regente.

    Em seu retorno a Santiago, Torrealba aplicará imediatamente os conhecimentos adquiridos em duas instâncias. No dia 12 de setembro, apresentará-se no Teatro Municipal de San Joaquín junto à Orquestra de Cordas de María Pinto, agrupação originária da comuna de mesmo nome, para interpretar a “Suite María Pinto”, obra criada e dirigida pelo professor e compositor José Miguel Cerey Jerez, cujo propósito é resgatar a identidade local desta localidade rural da Região Metropolitana de Santiago.

    Torrealba também foi convidada para o “Festival Semillero Sonoro. Orquestras iniciais da zona central do país”, a ser realizado na comuna de Mostazal, Região de O’Higgins. No dia 26 de setembro, regerá um ensemble orquestral formado por integrantes da Orquestra de La Reina, da Orquestra da Escola Artística de Mostazal (O’Higgins), da Orquestra Feminina Instituto Santa Marta (Curicó) e da Orquestra de Cordas de María Pinto. Ambas as instâncias buscam que a regente coloque em prática os conhecimentos adquiridos durante sua estadia na Itália junto ao maestro Carlos Riazuelo.

    Adicionalmente, e alinhada com seu compromisso de fomentar a liderança feminina no pódio, a regente realizará, durante a segunda quinzena de setembro, a atividade educativa “O Gesto de Liderar”. Esta iniciativa, aberta à comunidade, busca transferir o aprendizado adquirido na Europa às novas gerações de mulheres regentes locais.

    Nascida em Santiago do Chile, Alfonsina Torrealba é intérprete, musicista e docente. Iniciou sua carreira como regente em 2016, desenvolvendo um estilo fresco, juvenil e diverso, que abriu caminho para sua trajetória no Chile e na Europa.

    Tem se destacado como uma regente competente e profissional, capaz de inspirar e desenvolver um repertório complexo, variado e interessante, elevando o interesse da comunidade pela música clássica e levando a orquestra a um nível de qualidade superior. Em sua trajetória, destacam-se seus trabalhos com a Orquestra Jovem de Curacaví, a Orquestra de Cordas de María Pinto, a Orquestra Jovem de La Reina, a Orquestra de Flautas de Panguipulli, o Coro Presbiteriano San Esteban e o coro da UAX.

    É fundadora do estúdio remoto TorreMar Music Studio e colaborou como regente no Berklee College of Music, além de participar como soprano do coro de câmara Amalthea. Em 2025, foi destacada pelas revistas Voyage LA, Bold Journey, Canvas Rebel e Shoutout LA.

    Alfonsina Torrealba foi contemplada na convocatória 2025 do Programa Ibermúsicas, na linha de Apoio à Especialização e ao Aperfeiçoamento Artístico e Técnico.

    • De 24 de agosto a 2 de setembro: Programa de aperfeiçoamento na cidade de Catânia, Itália
    • 12 de setembro: “Suite María Pinto”, de José Miguel Cerey Jerez, concerto da Orquestra de Cordas de María Pinto no Teatro Municipal de San Joaquín, Santiago do Chile
    • 26 de setembro: “Festival Semillero Sonoro. Orquestras iniciais da zona central do país”, Mostazal, Região de O’Higgins, Chile