Autor: Ricardo Gomez Coll

  • Jallalla Warmis (Peru) – Que vivan las mujeres – Turnê pela Argentina, Bolívia e Chile

    Jallalla Warmis (Peru) – Que vivan las mujeres – Turnê pela Argentina, Bolívia e Chile

    Título do projeto: Jallalla Warmis – Que vivan las mujeres
    Nome do artista/agrupação: Jallalla Warmis
    País: Perú
    Linha de convocatória: Apoio à circulação de profissionais da música
    Ano de convocatória: 2024

    A proposta Jallalla Warmis – Que Vivan Las Mujeres, dirigida pela compositora de Arequipa Nathaly Pino Gonzales, apresenta-se como uma experiência musical que coloca em primeiro plano a presença e a voz das mulheres nas tradições andinas. A partir de um repertório que percorre ayarachis, huaynos, tarkas e cacharpayas, a obra ativa uma escuta na qual o ritual, o coletivo e o sonoro se entrelaçam, dando lugar a uma expressão que recupera saberes ancestrais a partir de uma prática viva e contemporânea.

    O projeto se sustenta em uma instrumentação centrada em aerofones tradicionais — ocarinas, flautas e sikus — junto às vasilhas assobiadoras, gerando uma textura sonora que remete tanto ao cerimonial quanto ao comunitário. Nesse contexto, peças como a homenagem a Micaela Bastidas ou Flor Silvestre não funcionam apenas como composições musicais, mas como atos de memória ativa, nos quais a música se converte em veículo de transmissão cultural.

    Antes do início da turnê, o grupo realizou uma coletiva de imprensa em Arequipa que contou com cobertura de meios locais. Portais culturais destacaram o caráter inédito da proposta e sua projeção internacional, sublinhando o início de “sua primeira turnê internacional” e a importância de visibilizar o papel das mulheres nas músicas tradicionais andinas. Essa repercussão inicial contribuiu para posicionar o projeto como uma iniciativa relevante dentro do circuito regional.

    A turnê foi realizada durante novembro de 2025, com um total de doze concertos no Perú, Chile, Argentina e Bolívia, combinando apresentações em espaços institucionais, escolas, universidades e cenários comunitários. Um dos núcleos mais ativos foi sua participação no V Encontro de Mulheres e Dissidências Lakitas e Sikuris da América Latina, em Santiago do Chile, onde o projeto se integrou a uma rede continental de práticas musicais coletivas.

    Paralelamente, a proposta desenvolveu uma dimensão pedagógica significativa por meio de oficinas e rodas de conversa voltadas à transmissão de saberes. Atividades como as oficinas de sikuri ou o conversatório Territorios Urbanos, Raíces Vivas permitiram não apenas ensinar técnicas de execução, mas também gerar instâncias de reflexão sobre identidade, território e música comunitária. Essas ações consolidaram um vínculo direto com estudantes, músicas e coletivos culturais.

    Um dos aspectos mais relevantes do percurso foi a capacidade do projeto de articular diferentes níveis de experiência: do cênico ao formativo, do ritual ao político. A diversidade de públicos — que incluiu comunidades educativas, audiências urbanas e coletivos culturais — evidenciou o alcance transversal da proposta e seu potencial como ferramenta de mediação cultural.

    O impacto da turnê também se manifestou na consolidação de redes regionais. A partir das apresentações e atividades formativas, foram gerados vínculos com organizações culturais, espaços universitários e agrupações musicais, abrindo a possibilidade de futuras colaborações e novas instâncias de circulação na América Latina.

    Nesse percurso, o papel desempenhado pelo Ibermúsicas foi fundamental para ampliar o alcance do projeto e consolidar sua projeção regional. Como sintetiza a própria artista: “O apoio do Ibermúsicas foi fundamental para fortalecer nossa proposta, chegar a novos espaços e ampliar nossa rede de colaboração”.

  • Ino Guridi (Uruguai) – Turnê por Santiago do Chile

    Ino Guridi (Uruguai) – Turnê por Santiago do Chile

    Título do projeto: Ino Guridi – Gira por Santiago de Chile
    Nome do artista/agrupação: Ino Guridi
    País: Uruguai
    Linha de convocatória: Apoio à circulação de profissionais da música
    Ano de convocatória: 2024

    A reconfiguração do projeto de Ino Guridi — originalmente concebido como uma residência no The Lodge Room — resultou em uma gira em formato duo por Santiago do Chile, evidenciando a capacidade de adaptação do projeto diante de contingências externas. O cancelamento das datas em Los Angeles, em decorrência dos incêndios que afetaram a programação cultural da cidade, abriu a possibilidade de redirecionar os recursos para um território já significativo na trajetória da artista: a cena chilena.

    Acompanhada por Krishna Della Valle, Guridi realizou dois concertos em junho de 2025 em Santiago, em espaços como Centro Perdido e Bar Cerros de Chena, reunindo mais de 600 pessoas no total. Essas apresentações permitiram reativar o vínculo com um público previamente construído durante sua residência na cidade com o projeto Isla Panorama, ao mesmo tempo em que ampliaram seu alcance para novas audiências. Em particular, sua participação como artista convidada em um concerto do projeto Chicarica inseriu-se em uma cena local em expansão, destacada pela imprensa como portadora de “um novo estilo de dança”, sublinhando o dinamismo do circuito no qual a proposta se inscreve.

    O projeto artístico de Guridi, consolidado a partir do álbum Pasará (2023), situa-se em um cruzamento entre a tradição musical uruguaia — com elementos como o candombe e a milonga — e linguagens contemporâneas ligadas ao pop e à eletrônica. Essa busca lhe rendeu reconhecimento tanto em nível nacional quanto internacional, incluindo indicações aos Prêmios Graffiti, posicionando-a como uma das vozes emergentes mais relevantes da cena uruguaia atual. Nesse contexto, a gira no Chile não funcionou apenas como plataforma de circulação, mas também como instância de validação em um circuito regional afinado com sua proposta estética.

    Para além dos concertos, a experiência permitiu fortalecer redes profissionais em Santiago. O contato com artistas e agentes culturais locais abre perspectivas de continuidade para o projeto, em um mercado onde Guridi já havia desenvolvido uma base prévia. Esse conjunto de vínculos reforça a dimensão estratégica da gira, entendida não apenas como uma série de apresentações, mas como um processo de inserção sustentada na região.

    Nesse percurso, o apoio do Ibermúsicas foi fundamental para garantir a concretização do projeto em um contexto adverso. A possibilidade de redirecionar os recursos permitiu não apenas sustentar a projeção internacional da artista, mas também consolidar um espaço de trabalho já iniciado no Chile. Como sintetiza a própria equipe: “graças ao apoio do Ibermúsicas, conseguimos retomar o contato com uma cena que é muito importante para a nossa música; um reencontro muito especial que nos deixou contatos-chave para o futuro”.

  • Batimento Dúo (Uruguai) – Concertos no Canadá

    Batimento Dúo (Uruguai) – Concertos no Canadá

    Título do projeto: Batimento Dúo. Concertos en Canadá
    Nome do artista/agrupação: Batimento Dúo
    País: Uruguai
    Linha de convocatória: Apoio à circulação de profissionais da música
    Ano de convocatória: 2024

    O convite para participar do 28º Festival des Traditions du Monde de Sherbrooke situou o Batimento Dúo em um circuito internacional onde o tango se desloca e se ressignifica longe do seu território de origem. A partir daí, o projeto se configurou como uma plataforma de difusão da tradição guitarrística rio-platense, mas também como um espaço de experimentação interpretativa sobre repertórios históricos do Uruguai.

    Integrado por Ignacio Correa e Andrés Rey, o duo trabalha com arranjos originais para duas guitarras que reconstroem, a partir de uma perspectiva contemporânea, gêneros como o tango, a valsa e a milonga. A seleção das obras responde a um critério preciso: seu vínculo com o Uruguai, seja pelos compositores, pelo contexto de criação ou por sua inscrição na história cultural do país. Essa abordagem articula-se com uma dimensão musicológica que se materializa no livro Tangos Uruguayos, publicação que reúne partituras, análises históricas e ferramentas técnicas para a interpretação do gênero.

    A turnê pelo Canadá, realizada em agosto de 2025, ampliou consideravelmente o alcance inicial do projeto. O que inicialmente previa duas apresentações transformou-se em um percurso de nove concertos em cidades como Ottawa, Kingston, Montreal, Magog e Sherbrooke. Espaços como a University of Ottawa, o Domaine Trinity ou La Marche à côté acolheram propostas que oscilaram entre o concerto e a milonga, possibilitando um contato direto com públicos diversos. O encerramento no festival de Sherbrooke — com mais de 200 espectadores — confirmou a capacidade do projeto de se inserir em contextos multiculturais.

    Paralelamente, o duo desenvolveu uma instância formativa no próprio festival, centrada na interpretação do tango na guitarra. A partir de sua experiência pedagógica — já desenvolvida em países como Colômbia e Japão — abordaram aspectos técnicos como a marcação, as síncopas ou as estruturas rítmicas características do gênero, junto com elementos históricos vinculados ao papel do Uruguai em seu desenvolvimento. Essa dimensão reforça uma ideia que atravessa todo o projeto: a música como prática de transmissão, não apenas de repertórios, mas também de saberes.

    A circulação no Canadá também permitiu ativar novas redes profissionais. Como assinalam os próprios músicos, “foram estabelecidos vínculos com agentes culturais do Canadá que poderão permitir um nexo contínuo com o mercado musical deste país”, consolidando uma projeção que vai além da turnê pontual. Soma-se a isso o convite da escola Tango Rico, nos arredores de Montreal, que abre a possibilidade de futuras colaborações em um contexto onde o tango funciona como enclave cultural específico.

    Nesse percurso, o apoio do Ibermúsicas foi decisivo. Não apenas possibilitou a participação no festival, como também viabilizou uma expansão significativa do projeto: o número de concertos passou de dois para nove, superando amplamente o planejamento inicial. Nesse sentido, o programa não apenas facilitou a mobilidade, mas atuou como catalisador para a inserção sustentada do duo em novos circuitos internacionais. Como sintetizam os próprios artistas: “os objetivos foram alcançados com folga”.

  • Helena Sarmento (Portugal) – Tanto Mar – A Segunda Travessia – Turnê pelo Brasil, Argentina e Uruguai

    Helena Sarmento (Portugal) – Tanto Mar – A Segunda Travessia – Turnê pelo Brasil, Argentina e Uruguai

    Título do projeto: Tanto Mar – A Segunda Travessia
    Nome da artista/agrupação: Helena Sarmento
    País: Portugal
    Linha de convocatória: Apoio à circulação de profissionais da música
    Ano da convocatória: 2024

    A digressão “Tanto Mar – A Segunda Travessia”, da fadista portuguesa Helena Sarmento, constituiu um percurso artístico pela América do Sul que aprofundou os vínculos históricos, culturais e musicais entre Portugal e o Brasil, expandindo-os para outros territórios da região, como a Argentina e o Uruguai. Ao lado dos músicos brasileiros Pedro Aragão e Paulo Aragão, a artista apresentou um espetáculo centrado na convergência entre o fado e diferentes tradições da música popular brasileira, como o samba, o samba-canção e a seresta.

    Mais do que uma série de concertos, a proposta assumiu-se como um dispositivo cênico que articula música, poesia e elementos teatrais. No palco, as relações entre Portugal e Brasil manifestam-se tanto nas obras de referências como Amália Rodrigues, Cecília Meireles, Sophia de Mello Breyner, Elizeth Cardoso e Dona Ivone Lara, quanto na lírica de Camões, através de temas recorrentes como o amor, a saudade e a melancolia. Recursos de iluminação, projeção, construção de personagens e ambiências sonoras contribuem para criar uma experiência imersiva, na qual o público é conduzido por diferentes paisagens afetivas e culturais.

    A digressão percorreu cidades da Argentina, do Uruguai e do Brasil entre outubro e dezembro de 2025, com apresentações em espaços culturais de relevância, como o Centro Cultural Recoleta, em Buenos Aires, o Centro Cultural Bastión del Carmen, em Colónia do Sacramento, a Sala Camacuá, em Montevidéu, e instituições culturais no Rio de Janeiro, São Paulo, Fortaleza, João Pessoa e Recife. Este percurso permitiu não apenas a circulação do espetáculo, mas também o encontro com públicos diversos e a consolidação de redes culturais na região.

    Natural de Lamego e radicada no Porto desde 2004, Helena Sarmento desenvolve uma trajetória marcada pela investigação musical e pela articulação entre tradição e contemporaneidade. Com uma discografia que inclui cinco álbuns —entre eles Tanto Mar (2024)—, a artista tem vindo a afirmar-se no panorama internacional, tendo realizado concertos em vários países europeus e na América Latina. A sua prática artística reflete uma relação contínua com o fado, herdada de um contexto familiar ligado à literatura e à música, ao mesmo tempo que incorpora, de forma consistente, referências da música brasileira.

    Neste contexto, “Tanto Mar – A Segunda Travessia” reafirma o projeto artístico de Helena Sarmento como um espaço de travessia simbólica entre geografias e tradições, onde a música opera como uma linguagem de aproximação e diálogo. O apoio do Ibermúsicas foi fundamental para a concretização desta digressão, permitindo a circulação internacional da artista e o fortalecimento de um circuito cultural ibero-americano baseado na partilha e na colaboração entre diferentes contextos musicais.

  • Farra Fanfarra (Portugal) no Manciano Street Music Festival 2025 da Italia

    Farra Fanfarra (Portugal) no Manciano Street Music Festival 2025 da Italia

    Título do projeto: Farra Fanfarra no Manciano Street Music Festival 2025
    Nome do artista/agrupação: Farra Fanfarra
    País: Portugal
    Linha de convocatória: Apoio à circulação de profissionais da música
    Ano de convocatória: 2024

    A participação da banda portuguesa Farra Fanfarra no Manciano Street Music Festival 2025 (Itália) consolidou uma trajetória artística profundamente enraizada na prática da música de rua como espaço de encontro direto com o público. Realizado na cidade de Manciano, na região da Toscana, o festival propõe justamente esse tipo de experiência: uma circulação musical aberta, sem barreiras, onde diferentes linguagens e origens se encontram no espaço público.

    Com atuações distribuídas ao longo dos dias 11, 12 e 13 de julho de 2025, a banda integrou-se a uma programação marcada pela diversidade de formações itinerantes europeias. O formato do festival — que alterna apresentações em palco central, intervenções itinerantes (marching) e performances em espaços informais da cidade — favoreceu uma presença contínua e dinâmica dos Farra Fanfarra, que realizaram nove apresentações em distintos contextos dentro do evento.

    A proposta artística do grupo, baseada numa formação de brass band expandida, articula instrumentos de sopro e percussão com elementos performativos e circenses. O repertório, que combina ska, música balcânica, swing e referências da tradição popular italiana, é estruturado a partir de uma lógica de interação constante com o público. Mais do que concertos convencionais, as suas atuações configuram situações de participação coletiva, nas quais o espaço urbano se transforma em palco e lugar de convivência.

    A cobertura de imprensa italiana destacou precisamente esse caráter do festival. Em diferentes meios, o Manciano Street Music Festival foi descrito como “um evento que transforma as ruas num grande palco a céu aberto, com bandas itinerantes de toda a Europa”, sublinhando o seu papel na promoção de uma música acessível e transversal. Outras publicações enfatizaram o ambiente festivo e a proximidade entre artistas e público, referindo-se ao festival como um espaço onde “a música e o divertimento se encontram sem barreiras, envolvendo toda a cidade”. Esses elementos ajudam a compreender o contexto em que a participação dos Farra Fanfarra se insere.

    Para a banda, a experiência representou não apenas uma ampliação da sua circulação internacional, mas também um momento de intensificação das práticas colaborativas. O contacto com outros grupos e com a organização do festival gerou novas possibilidades de atuação, incluindo convites para futuras apresentações em Itália. Ao mesmo tempo, a receção do público — expressa no reconhecimento direto durante as performances — reforçou a dimensão comunicativa e afetiva do projeto.

    O apoio do Ibermúsicas foi determinante para viabilizar a participação no festival, especialmente no que diz respeito aos custos de deslocação de uma formação numerosa e dos respetivos instrumentos. Como sintetiza a própria banda: “Graças a este apoio, conseguimos concretizar a nossa participação e viver uma experiência única, onde a música cumpre verdadeiramente o seu papel de encontro entre músicos e público, sem barreiras.”

  • Gladys Conde (Peru) – Concerto Santa Tierra pela saúde planetária no Chile

    Gladys Conde (Peru) – Concerto Santa Tierra pela saúde planetária no Chile

    Título do projeto: Concerto Santa Tierra para la salud planetaria
    Nome do artista/agrupação: Gladys Conde / Ensamble Santa Tierra
    País: Perú
    Linha de convocatória: Apoio à circulação de profissionais da música
    Ano de convocatória: 2024

    “Somos vida, somos Santa Tierra”. Essa frase, repetida ao longo do projeto, funciona menos como um lema do que como uma síntese de sentido. A partir daí, a cantautora cusquenha Gladys Conde desenvolveu uma proposta musical que transita entre o experimental e o cerimonial, tomando como base cantos autorais que dialogam com tradições andinas e amazônicas do Perú.

    O projeto se articula em um formato de ensamble — voz, guitarra e cello — que não busca reproduzir formas convencionais, mas sim construir uma experiência sonora vinculada ao ritual. A voz ocupa um lugar central, com uma intenção expressiva que remete a práticas de cura e de conexão com a natureza, enquanto os instrumentos acompanham gerando atmosferas mais próximas da paisagem sonora do que da canção tradicional.

    A turnê foi realizada no Chile durante novembro de 2025, com apresentações em Puerto Varas, Calbuco e Santiago, em espaços diversos que incluíram desde escolas rurais até centros culturais e universidades. Essa variedade de contextos não é um dado menor: o projeto foi pensado para públicos heterogêneos, integrando crianças, comunidades locais, estudantes e audiências urbanas, em sintonia com uma concepção ampliada da música como prática social.

    Para além dos concertos, a proposta incorporou instâncias formativas e de intercâmbio. Oficinas como Cuerpo que respira: voz que sana e atividades na Universidade Gabriela Mistral permitiram trabalhar diretamente com participantes em torno da voz, do corpo e da escuta, reforçando a dimensão pedagógica do projeto. Paralelamente, foram desenvolvidas ações específicas com mulheres e comunidades educativas, incorporando perspectivas de gênero, infâncias e sustentabilidade.

    Um dos aspectos mais relevantes foi a recepção do público, que — segundo a própria artista — não apenas assistiu aos concertos, mas também se envolveu emocionalmente com a proposta. Foram geradas respostas concretas em torno do cuidado com o ambiente e uma identificação com a ideia da música como ferramenta de reconexão com a natureza. Nesse sentido, o projeto não se limitou à circulação de um repertório, mas ativou uma experiência compartilhada.

    A turnê também abriu novas possibilidades de continuidade: surgiram convites para retornar ao Chile com concertos e oficinas, assim como propostas de espaços culturais na Argentina e na Espanha interessados em replicar o formato. Soma-se a isso a articulação com agentes locais, como a produtora Raíz Sur, que estabelece bases para futuros trabalhos em comunidades.

    O apoio do Ibermúsicas foi fundamental para sustentar esse processo, tanto em termos de mobilidade quanto de projeção. Como sintetiza a própria Gladys Conde: “reforça a confiança na minha arte junto à minha comunidade cusquenha, valorizando cada vez mais o meu fazer e gerando maior abertura e acolhimento”.

  • Chiara d’Odorico (Paraguai) – Diálogos e igualdade: música paraguaia e europeia – Espanha 2025

    Chiara d’Odorico (Paraguai) – Diálogos e igualdade: música paraguaia e europeia – Espanha 2025

    Título do projeto: Diálogos e igualdad: música paraguaya y europea
    Nome do artista/agrupação: Chiara D’Odorico
    País: Paraguay
    Linha de convocatória: Apoio à circulação de profissionais da música
    Ano de convocatória: 2024

    “Apresentar esta música na Europa é estabelecer a premissa de uma igualdade artística”. Com essa ideia como ponto de partida, a pianista paraguaia Chiara D’Odorico concebeu o projeto Diálogos e Igualdade: música paraguaia e europeia, uma turnê que levou aos palcos de Madrid e Barcelona, com o apoio do Ibermúsicas, um repertório pouco habitual: obras de compositores paraguaios apresentadas em diálogo direto com a tradição pianística europeia.

    Formada entre Assunção, Buenos Aires e Barcelona, D’Odorico vem desenvolvendo há anos um trabalho consistente de pesquisa, interpretação e gravação em torno da música acadêmica paraguaia. Seus discos —centrados em repertório dos séculos XX e XXI— não apenas recuperam obras pouco difundidas, como também ampliam o cânone pianístico a partir de uma perspectiva latino-americana.

    A turnê se concretizou em quatro recitais realizados em janeiro de 2025: dois em Barcelona (incluindo o Jardí dels Tarongers e o Auditório Cullell Fabra), um em Madrid (no Shigeru Kawai Center) e outro no circuito cultural da cidade. Sob o título CONTRASTES – Música Europeia e Latino-Americana, os programas propuseram um percurso que ia do século XVIII ao XXI, alternando peças europeias com obras paraguaias, algumas delas apresentadas pela primeira vez na Europa.

    Mais do que um gesto simbólico, a proposta se sustentou na própria materialidade musical: afinidades na escrita, nas formas e nos desenvolvimentos harmônicos conviveram com diferenças rítmicas e expressivas ligadas à influência do folclore paraguaio. Nesse cruzamento, o repertório latino-americano deixou de ocupar um lugar periférico para se integrar em condições de igualdade dentro do concerto clássico.

    Um dos aspectos de destaque foi a inclusão de obras de compositoras como Nancy Luzko, em sintonia com um trabalho consciente de valorização do papel das mulheres na música acadêmica. Ao mesmo tempo, a participação do pianista argentino David Lonardi em peças a quatro mãos acrescentou uma dimensão colaborativa ao projeto.

    A recepção foi muito positiva, tanto em termos de público quanto de repercussão na mídia. Diferentes portais culturais do Paraguai destacaram a projeção internacional da pianista e o caráter singular do programa: alguns enfatizaram como a turnê propunha “contrastes musicais” entre Europa e América Latina, enquanto outros ressaltaram a capacidade de Chiara D’Odorico de “conquistar palcos europeus” com um repertório pouco habitual, centrado em compositores paraguaios. A turnê também permitiu estabelecer vínculos com instituições e espaços culturais na Espanha, abrindo a possibilidade de futuras apresentações na Europa.

    Nesse percurso, o apoio do Ibermúsicas foi determinante, não apenas para viabilizar a mobilidade, mas também para consolidar um projeto de longo alcance. Como sintetiza a própria artista: “o trabalho com o Ibermúsicas representa um impulso significativo na minha carreira artística, ao me permitir projetar minha proposta musical no âmbito internacional e difundir o repertório paraguaio para novos públicos”.

  • Che Valle (Paraguai) – Turnê Colombia 2025

    Che Valle (Paraguai) – Turnê Colombia 2025

    Título do projeto: Che Valle Turnê Colômbia 2025
    Nome do artista/agrupação: Che Valle
    País: Paraguai
    Linha de convocatória: Apoio à circulação de profissionais da música
    Ano de convocatória: 2024

    O projeto Che Valle Gira Colômbia 2025 marcou um novo passo no percurso regional do duo paraguaio Che Valle, que há anos vem desenvolvendo uma proposta centrada na canção de raiz latino-americana. A partir de Presidente Franco, o grupo articula em sua música gêneros como a guarania, a polca e o chamamé com influências de outras tradições do continente, construindo um repertório próprio que se alimenta tanto da composição quanto do intercâmbio cultural.

    “Che Valle não descansará até circular por todo o território latino-americano”. Essa declaração de princípios funciona como motor de uma prática contínua de viagens, encontros e colaborações, na qual cada turnê não se limita à apresentação ao vivo, mas é concebida como uma instância de aprendizado e diálogo com outras cenas musicais.

    Nesse contexto, a turnê pela Colômbia se concretizou em sete concertos realizados entre maio e junho de 2025 em cidades como Bogotá, Cali, Buga e Ginebra. Um dos pontos de destaque foi a participação no Festival Mono Núñez, onde o duo se apresentou para um público amplo, inserindo-se em um dos circuitos mais relevantes da música tradicional colombiana.

    Paralelamente aos concertos, o projeto incluiu quatro atividades formativas em instituições como a Universidade Sergio Arboleda e a Universidade del Valle, além de espaços educativos locais. Essas atividades permitiram compartilhar ferramentas de composição e interpretação, ao mesmo tempo em que promoveram um intercâmbio direto com estudantes e músicos em formação.

    Um dos aspectos mais significativos da experiência foi o contato com o folclore colombiano. Os integrantes do duo destacam a descoberta de gêneros como o bambuco, no qual reconheceram proximidades com músicas paraguaias: “descobrimos as semelhanças e diferenças entre o folclore colombiano e o paraguaio; o folclore latino-americano dialoga muito entre si”. Esse reconhecimento de afinidades, para além das diferenças estilísticas, reforçou a dimensão regional do projeto.

    A turnê também teve efeitos concretos em termos de projeção: a participação em festivais e universidades abriu novas possibilidades de circulação e fortaleceu redes com artistas, programadores e instituições. Em particular, surgiram iniciativas de intercâmbio acadêmico que podem se traduzir em futuras colaborações entre espaços educativos da Colômbia e do Paraguai.

    O apoio do Ibermúsicas foi fundamental para sustentar esse processo. Como sintetiza o próprio duo: “toda essa experiência na Colômbia segue contribuindo de forma muito positiva para continuarmos apostando na música e na difusão de nossas próprias composições”.

  • Monalisa e Rodrigo (Panamá) – Amor e inclusão aos nossos vizinhos – Mercado Musical Centro-Americano da Costa Rica

    Monalisa e Rodrigo (Panamá) – Amor e inclusão aos nossos vizinhos – Mercado Musical Centro-Americano da Costa Rica

    Título do projeto: Amor e inclusão aos nossos vizinhos
    Nome do artista/agrupação: Monalisa y Rodrigo
    País: Panamá
    Linha da convocatória: Apoio à circulação de profissionais da música
    Ano da convocatória: 2024

    O duo panamenho Monalisa y Rodrigo, formado em 2014, insere-se na tradição da canção popular latino-americana, na qual a autoria, a proximidade com o público e a dimensão narrativa da música ocupam um lugar central. Ao longo de sua trajetória, desenvolveram um perfil artístico atravessado por uma sensibilidade contemporânea em torno de temas como o amor, a diversidade e a inclusão, posicionando-se como uma das propostas de destaque na cena musical panamenha.

    Nesse contexto, o projeto Amor e inclusión a nuestros vecinos se concretizou por meio de sua participação no Mercado Musical Centro-Americano (CAMM), realizado em San José, Costa Rica, em junho de 2025, com apoio do Ibermúsicas. Mais do que um simples deslocamento para realizar um concerto, a proposta se estruturou como uma plataforma de intercâmbio: incluiu um showcase diante de programadores e agentes culturais, assim como a realização de uma oficina gratuita voltada a jovens, centrada na música como ferramenta de inclusão.

    O CAMM, concebido como um espaço para “fortalecer e dinamizar o setor musical nos países que compõem a América Central”, funcionou como um nó estratégico para a circulação regional. Nesse sentido, a presença de Monalisa y Rodrigo adquire uma dimensão particular: Panamá e Costa Rica, países vizinhos com histórias e dinâmicas culturais entrelaçadas, encontram nesse tipo de encontro um terreno fértil para a construção de redes e colaborações.

    O concerto —com a presença de mais de duzentas pessoas— permitiu ao duo apresentar seu repertório em um novo contexto, enquanto a oficina ampliou o alcance do projeto para uma dimensão pedagógica. Nesse espaço, não apenas compartilharam ferramentas técnicas —violão, composição, canto—, mas também propuseram uma reflexão sobre a música como espaço de encontro e possibilidade, especialmente para jovens em formação.

    Um dos resultados mais significativos do projeto foi, precisamente, a geração de vínculos. Os próprios artistas destacam ter conseguido “nos conectar muito bem com diversos artistas centro-americanos”, chegando inclusive a compor uma canção junto à artista salvadorenha Carol Hills. Soma-se a isso o contato com programadores que, após o concerto, resultou em uma proposta concreta para se apresentarem no Teatro Sánchez de Sucre, no Equador, em 2026.

    Nesse sentido, o projeto confirma a importância dos mercados musicais como dispositivos de articulação regional: não apenas possibilitam a visibilidade dos artistas, mas também ativam processos de colaboração que ultrapassam o evento pontual. Como afirmam, “foram tecidas várias redes para futuras colaborações”, evidenciando um impacto que se projeta para além da experiência imediata.

    O papel do Ibermúsicas mostra-se fundamental. O próprio duo o reconhece em dois níveis: por um lado, como um apoio econômico “crucial para poder realizar concertos fora do país”; por outro, como um reconhecimento que “é vital para nossa trajetória”.

  • La Tribu (Panamá) – Bila Burba: 100 anos de identidade e cultura – Turnê pelo Canadá, Estados Unidos e China

    La Tribu (Panamá) – Bila Burba: 100 anos de identidade e cultura – Turnê pelo Canadá, Estados Unidos e China

    Título do projeto: Bila Burba
    Nome do artista/agrupação: La Tribu
    País: Panamá
    Linha de convocatória: Apoio à circulação de profissionais da música
    Ano da convocatória: 2024

    O projeto Bila Burba, da agrupação panamenha La Tribu, parte de uma proposta musical concreta: uma fusão entre cantos, danças e instrumentos da nação Gunadule com gêneros contemporâneos como o rock e o jazz. Ativa desde 2010 e com base em La Chorrera, a banda desenvolveu uma linguagem própria dentro da etnofusão, na qual a dimensão sonora se articula com o uso de língua indígena, coreografias e uma encenação que combina elementos tradicionais e formatos atuais.

    A turnê Bila Burba: 100 anos de identidade e cultura foi organizada em torno da comemoração do centenário da Revolução Dule de 1925. Esse acontecimento, fundamental para a história do povo guna, aparece como eixo temático de um repertório que aborda questões como o território, a memória coletiva e a relação com a natureza. Nas palavras do próprio grupo, trata-se de “um momento de levantamento de nossas vozes musicais para falar sobre nossas lutas, nossos territórios”.

    O projeto se desenvolveu em um circuito internacional que incluiu apresentações em cidades como Toronto e Los Angeles. A isso se somou uma atividade formativa no International Indigenous Music Summit, em Toronto, onde a agrupação compartilhou aspectos de sua prática musical e cultural com outros artistas e públicos interessados em músicas indígenas contemporâneas.

    Mais do que se concentrar exclusivamente no concerto, a proposta também incorporou espaços de intercâmbio. As palestras e atividades formativas permitiram contextualizar a música dentro da história e da cosmovisão Gunadule, abrindo um diálogo com públicos que, em muitos casos, entravam em contato pela primeira vez com esse tipo de repertório. Nesse sentido, o projeto funcionou tanto como apresentação artística quanto como instância de mediação cultural.

    A trajetória prévia do grupo —com apresentações em países como Colômbia, México, Brasil e Japão— e suas colaborações com músicos internacionais, como Shea Welsh, explicam em parte a projeção desta turnê. Esses vínculos permitiram ampliar o alcance de sua música e gerar novos espaços de atuação, especialmente em circuitos onde as músicas de raiz dialogam com formatos contemporâneos.

    Um dos resultados mais concretos do projeto foi a ampliação de redes: a agrupação recebeu convites para retornar ao Canadá e participar de festivais nos Estados Unidos, além de abrir possibilidades de colaboração com músicos de outros países. Nesse sentido, a circulação não se limitou à turnê em si, mas deixou abertas novas instâncias de intercâmbio para o futuro.

    O apoio da Ibermúsicas foi fundamental para tornar possível este percurso. Como sintetiza o próprio grupo: “com os recursos da Ibermúsicas, alcançamos novos públicos, novos contatos e futuras colaborações”.