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  • Marta Menezes (Espanha) – Concerto com Orquestra e Masterclass no Uruguai

    Marta Menezes (Espanha) – Concerto com Orquestra e Masterclass no Uruguai

    Título do projeto: Concerto com Orquestra e Masterclass no Uruguai
    Nome do artista/grupo: Marta Menezes
    País: Espanha
    Linha de convocatória: Apoio à circulação de profissionais da música
    Ano da convocatória: 2024

    A apresentação de Marta Menezes em Montevidéu, no âmbito da convocatória Apoio à Circulação de Profissionais da Música, do Ibermúsicas, em junho de 2025, marca um ponto de inflexão claro em sua trajetória: sua estreia como solista na América Latina. Pianista portuguesa radicada em Madrid, sua carreira se desenvolveu principalmente entre Portugal e Espanha, consolidando-se como intérprete tanto do repertório clássico quanto de obras menos frequentes nos programas de concerto. Nesse sentido, seu perfil combina uma sólida formação acadêmica com uma busca deliberada por ampliar o horizonte de escuta do público.

    O concerto, realizado no Teatro Solís junto à Orquestra Filarmônica de Montevidéu sob a direção de Carlos Vieu, teve como eixo o Concerto para a mão esquerda, de Maurice Ravel, uma obra singular dentro do repertório pianístico. Escrita para o pianista Paul Wittgenstein após a perda de seu braço direito na Primeira Guerra Mundial, a peça propõe um desafio técnico e expressivo particular: construir uma sonoridade completa com uma única mão. A escolha não é casual. Menezes vem trabalhando com repertórios menos transitados, apostando em oferecer “uma experiência artística diversa, completa e enriquecedora para o público”, como ela mesma afirma.

    Nesse contexto, o concerto não funcionou apenas como apresentação diante de um novo público, mas também como uma declaração estética. À obra de Ravel somou-se, como bis, Interlúdio em Ré do compositor português Daniel Bernardes, em sua estreia na América Latina. Esse gesto reforça uma linha de trabalho constante em sua carreira: a difusão da música portuguesa para além de suas fronteiras, integrando-a a circuitos internacionais.

    A recepção do concerto —com mais de quinhentos espectadores— confirma a eficácia dessa proposta. Mas talvez ainda mais significativo seja o modo como essa experiência se projeta para o futuro. O próprio diretor, Carlos Vieu, manifestou interesse em continuar a colaboração na Argentina, enquanto outras instituições culturais presentes na sala abriram possibilidades de novos vínculos na região.

    Paralelamente ao concerto, Menezes desenvolveu uma atividade pedagógica que constitui parte estrutural de sua prática: uma masterclass na Faculdade de Artes da Universidade da República. Ali, o intercâmbio com jovens pianistas locais permitiu levar sua experiência interpretativa a um âmbito formativo, em um contexto onde —segundo relataram os próprios estudantes— esse tipo de iniciativa nem sempre é acessível. A dimensão educativa aparece, assim, não como complemento, mas como extensão natural de seu trabalho artístico.

    Em conjunto, o projeto articula três dimensões que definem seu perfil atual: a interpretação de alto nível, a curadoria de repertório e o compromisso com a formação musical. A chegada à América Latina, neste caso, não se limita a uma circulação pontual, mas inaugura uma rede de relações que pode ter continuidade ao longo do tempo.

    Nesse percurso, o papel do Ibermúsicas se mostra determinante. A própria pianista o sublinha com clareza: “o apoio do Ibermúsicas foi fundamental para tornar possível minha estreia como solista na América Latina, um passo muito importante na minha carreira internacional”. Mas sua avaliação vai além do caso individual. Menezes destaca que esse tipo de programa “cria oportunidades de internacionalização para os artistas” e “fomenta o intercâmbio cultural”, permitindo que a música “ultrapasse fronteiras” e que os intérpretes possam se desenvolver em novos contextos. Nesse sentido, o Ibermúsicas aparece não apenas como um suporte logístico, mas como uma plataforma ativa para a circulação, o encontro e o crescimento profissional no espaço ibero-americano.

  • Vicente Navarro (Espanha) – Las flores de cerca – Turnê latino-americana 2025

    Vicente Navarro (Espanha) – Las flores de cerca – Turnê latino-americana 2025

    Título do projeto: Las flores de cerca (Turnê latino-americana)
    Nome do artista/grupo: Vicente Navarro
    País: Espanha
    Linha de convocatória: Apoio à circulação de profissionais da música
    Ano da convocatória: 2024

    Vicente Navarro é um músico e ator espanhol, nascido em Madrid e com raízes manchegas, cuja obra se insere no chamado neofolclore espanhol: uma corrente que revisita as tradições musicais a partir de uma sensibilidade contemporânea, incorporando elementos da música urbana, da eletrônica e de diálogos com outras tradições, especialmente latino-americanas.

    Com dois discos lançados —Casi tierra e Las manos—, e colaborações com artistas como Rodrigo Cuevas, Rocío Márquez e Karmento, Navarro vem se consolidando como uma das vozes emergentes mais interessantes dessa cena. Seu trabalho se caracteriza por uma busca identitária que articula o íntimo e o coletivo, explorando temas como memória, perda e pertencimento.

    O projeto apresentado ao Ibermúsicas consistiu na turnê latino-americana Las flores de cerca, uma evolução de seu trabalho anterior. Diferentemente de propostas mais amplificadas, esta turnê propôs um formato mais próximo e intimista, centrado na releitura de suas canções a partir de uma dimensão mais direta e emocional.

    A turnê aconteceu em maio de 2025, com apresentações em Bogotá (no âmbito do BIME), São Paulo e Cidade do México. Nesses concertos, Navarro não apenas apresentou seu repertório, mas também o colocou em diálogo com novos contextos culturais, reforçando os vínculos entre o folclore espanhol contemporâneo e as sensibilidades latino-americanas.

    O projeto cumpriu um objetivo central: gerar um espaço de intercâmbio artístico e fortalecer a dimensão internacional de seu trabalho. Em suas próprias palavras, a experiência foi “profundamente enriquecedora tanto no plano artístico quanto humano”, destacando especialmente o valor do encontro e da colaboração em contextos diversos.

    Nesse percurso, o apoio do Ibermúsicas foi fundamental para viabilizar a circulação do projeto. Navarro valoriza especialmente esse tipo de iniciativa por sua capacidade de fomentar o intercâmbio cultural e o desenvolvimento profissional. Nesse sentido, o apoio à mobilidade de artistas ibero-americanos aparece como uma ferramenta concreta que permite que projetos vinculados a novas leituras do folclore —como o seu— possam se expandir, dialogar com outros territórios e alcançar novos públicos no espaço ibero-americano, “impulsionando e reafirmando objetivos de integração e cooperação, além de fortalecer laços de colaboração, fomentar o intercâmbio cultural e consolidar redes de trabalho na região.”