Etiqueta: Portugal

  • Helena Sarmento (Portugal) – Tanto Mar – A Segunda Travessia – Turnê pelo Brasil, Argentina e Uruguai

    Helena Sarmento (Portugal) – Tanto Mar – A Segunda Travessia – Turnê pelo Brasil, Argentina e Uruguai

    Título do projeto: Tanto Mar – A Segunda Travessia
    Nome da artista/agrupação: Helena Sarmento
    País: Portugal
    Linha de convocatória: Apoio à circulação de profissionais da música
    Ano da convocatória: 2024

    A digressão “Tanto Mar – A Segunda Travessia”, da fadista portuguesa Helena Sarmento, constituiu um percurso artístico pela América do Sul que aprofundou os vínculos históricos, culturais e musicais entre Portugal e o Brasil, expandindo-os para outros territórios da região, como a Argentina e o Uruguai. Ao lado dos músicos brasileiros Pedro Aragão e Paulo Aragão, a artista apresentou um espetáculo centrado na convergência entre o fado e diferentes tradições da música popular brasileira, como o samba, o samba-canção e a seresta.

    Mais do que uma série de concertos, a proposta assumiu-se como um dispositivo cênico que articula música, poesia e elementos teatrais. No palco, as relações entre Portugal e Brasil manifestam-se tanto nas obras de referências como Amália Rodrigues, Cecília Meireles, Sophia de Mello Breyner, Elizeth Cardoso e Dona Ivone Lara, quanto na lírica de Camões, através de temas recorrentes como o amor, a saudade e a melancolia. Recursos de iluminação, projeção, construção de personagens e ambiências sonoras contribuem para criar uma experiência imersiva, na qual o público é conduzido por diferentes paisagens afetivas e culturais.

    A digressão percorreu cidades da Argentina, do Uruguai e do Brasil entre outubro e dezembro de 2025, com apresentações em espaços culturais de relevância, como o Centro Cultural Recoleta, em Buenos Aires, o Centro Cultural Bastión del Carmen, em Colónia do Sacramento, a Sala Camacuá, em Montevidéu, e instituições culturais no Rio de Janeiro, São Paulo, Fortaleza, João Pessoa e Recife. Este percurso permitiu não apenas a circulação do espetáculo, mas também o encontro com públicos diversos e a consolidação de redes culturais na região.

    Natural de Lamego e radicada no Porto desde 2004, Helena Sarmento desenvolve uma trajetória marcada pela investigação musical e pela articulação entre tradição e contemporaneidade. Com uma discografia que inclui cinco álbuns —entre eles Tanto Mar (2024)—, a artista tem vindo a afirmar-se no panorama internacional, tendo realizado concertos em vários países europeus e na América Latina. A sua prática artística reflete uma relação contínua com o fado, herdada de um contexto familiar ligado à literatura e à música, ao mesmo tempo que incorpora, de forma consistente, referências da música brasileira.

    Neste contexto, “Tanto Mar – A Segunda Travessia” reafirma o projeto artístico de Helena Sarmento como um espaço de travessia simbólica entre geografias e tradições, onde a música opera como uma linguagem de aproximação e diálogo. O apoio do Ibermúsicas foi fundamental para a concretização desta digressão, permitindo a circulação internacional da artista e o fortalecimento de um circuito cultural ibero-americano baseado na partilha e na colaboração entre diferentes contextos musicais.

  • Farra Fanfarra (Portugal) no Manciano Street Music Festival 2025 da Italia

    Farra Fanfarra (Portugal) no Manciano Street Music Festival 2025 da Italia

    Título do projeto: Farra Fanfarra no Manciano Street Music Festival 2025
    Nome do artista/agrupação: Farra Fanfarra
    País: Portugal
    Linha de convocatória: Apoio à circulação de profissionais da música
    Ano de convocatória: 2024

    A participação da banda portuguesa Farra Fanfarra no Manciano Street Music Festival 2025 (Itália) consolidou uma trajetória artística profundamente enraizada na prática da música de rua como espaço de encontro direto com o público. Realizado na cidade de Manciano, na região da Toscana, o festival propõe justamente esse tipo de experiência: uma circulação musical aberta, sem barreiras, onde diferentes linguagens e origens se encontram no espaço público.

    Com atuações distribuídas ao longo dos dias 11, 12 e 13 de julho de 2025, a banda integrou-se a uma programação marcada pela diversidade de formações itinerantes europeias. O formato do festival — que alterna apresentações em palco central, intervenções itinerantes (marching) e performances em espaços informais da cidade — favoreceu uma presença contínua e dinâmica dos Farra Fanfarra, que realizaram nove apresentações em distintos contextos dentro do evento.

    A proposta artística do grupo, baseada numa formação de brass band expandida, articula instrumentos de sopro e percussão com elementos performativos e circenses. O repertório, que combina ska, música balcânica, swing e referências da tradição popular italiana, é estruturado a partir de uma lógica de interação constante com o público. Mais do que concertos convencionais, as suas atuações configuram situações de participação coletiva, nas quais o espaço urbano se transforma em palco e lugar de convivência.

    A cobertura de imprensa italiana destacou precisamente esse caráter do festival. Em diferentes meios, o Manciano Street Music Festival foi descrito como “um evento que transforma as ruas num grande palco a céu aberto, com bandas itinerantes de toda a Europa”, sublinhando o seu papel na promoção de uma música acessível e transversal. Outras publicações enfatizaram o ambiente festivo e a proximidade entre artistas e público, referindo-se ao festival como um espaço onde “a música e o divertimento se encontram sem barreiras, envolvendo toda a cidade”. Esses elementos ajudam a compreender o contexto em que a participação dos Farra Fanfarra se insere.

    Para a banda, a experiência representou não apenas uma ampliação da sua circulação internacional, mas também um momento de intensificação das práticas colaborativas. O contacto com outros grupos e com a organização do festival gerou novas possibilidades de atuação, incluindo convites para futuras apresentações em Itália. Ao mesmo tempo, a receção do público — expressa no reconhecimento direto durante as performances — reforçou a dimensão comunicativa e afetiva do projeto.

    O apoio do Ibermúsicas foi determinante para viabilizar a participação no festival, especialmente no que diz respeito aos custos de deslocação de uma formação numerosa e dos respetivos instrumentos. Como sintetiza a própria banda: “Graças a este apoio, conseguimos concretizar a nossa participação e viver uma experiência única, onde a música cumpre verdadeiramente o seu papel de encontro entre músicos e público, sem barreiras.”

  • Modinhas (Portugal) – Canções Portuguesas dos séculos XVIII e XIX

    Modinhas (Portugal) – Canções Portuguesas dos séculos XVIII e XIX

    As modinhas são um gênero de canção lírica que surgiu em Portugal principalmente durante o século XVIII e parte do século XIX. São consideradas uma parte importante da tradição musical portuguesa e são conhecidas por seu caráter sentimental e melancólico, muitas vezes expresso em temas de amor não correspondido, saudade e desejo.

    As modinhas têm suas raízes na música popular portuguesa, mas ao longo do tempo foram modificadas para incorporar influências da música clássica europeia, como a ópera e a opereta italianas. De fato, é possível considerar como uma hipótese confiável que as modinhas compartilham semelhanças etno-musicais com a música de salão européia, especialmente a italiana e a austro-húngara. Durante o século XVIII, a ópera italiana e o estilo galante estavam em plena expansão na Europa, e essas formas musicais chegaram a Portugal, onde foram adaptadas e popularizadas entre a aristocracia. As modinhas refletem essa influência em sua estrutura melódica e tema sentimental. No entanto, o que torna esse gênero radicalmente português é o fato de que essa tradição, ligada à música acadêmica europeia, funde-se, ao chegar a Portugal, com a música popular, tanto na sua tradição oral quanto escrita – como as canções camponesas ou as composições dos trovadores medievais. Essas formas musicais caracterizavam-se pela simplicidade e pelo foco nos mesmos temas emocionais melancólicos, assim como as modinhas, para cujo desenvolvimento contribuíram.

    A modinha é frequentemente vista como precursora do fado e geralmente é executada com algum tipo de acompanhamento instrumental, que pode incluir violão, alaúde, piano ou viola. Esse gênero foi muito popular em Portugal e no Brasil, onde se misturou com outras formas musicais locais, contribuindo também para o desenvolvimento da música brasileira. 

    Liliana Coelho, soprano, e Isabel Calado, tecladista, dedicam-se à divulgação desse tipo de repertório português do final do século XVIII e da primeira metade do século XIX. Em particular, elas se especializaram na execução das chamadas modinhas a solo, cujo acompanhamento se limita a um instrumento de teclado. 

    Em particular, Coelho e Calado extraíram seu repertório de duas fontes principais:

    O Jornal de Modinhas, de vários compositores (Lisboa, 1792 e 1796), e a Coleção de Modinhas de Bom Gosto, composta por J. F. Leal e publicada em Viena em 1830.

    “Nosso recital, intitulado Modinhas: Canções nos Salões da Corte Portuguesa, foi realizado na Universidade Federal de Uberlândia e também incluiu obras para instrumento de teclado preservadas em manuscritos da segunda metade do século XVIII na Biblioteca Nacional, Lisboa, Portugal”. 

    O apoio solicitado ao Ibermúsicas permitiu a realização de dez concertos entre março e abril de 2023 na referida cidade de Uberlândia (Minas Gerais, Brasil). No entanto, a visita dos artistas portugueses não se limitou aos concertos:

    “Os recitais foram acompanhados de uma palestra na Universidade Federal de Uberlândia, seguida de uma mesa redonda na qual foram apresentados o repertório, seu contexto e as particularidades de sua interpretação. Essa sessão foi dirigida a músicos profissionais, estudantes e ao público em geral. O objetivo da mesa redonda e do debate foi compartilhar conhecimentos e experiências e criar redes duradouras baseadas na dualidade músico-pesquisador. Estávamos —e estamos— particularmente interessadas em preservar e disseminar o patrimônio cultural português e promover o intercâmbio de conhecimentos e práticas de desempenho.

    Programas como o Ibermúsicas são fundamentais para a divulgação de repertórios como o das modinhas. Entre outros motivos, porque promovem o intercâmbio cultural, a preservação e a revitalização de tradições musicais históricas e sua chegada e conhecimento ao público contemporâneo.

    “Graças ao apoio do Ibermúsicas, conhecemos artistas brasileiros e professores universitários da área de música, com os quais podemos construir pontes para o intercâmbio artístico e de conhecimento. A conferência foi muito importante, pois discutiu as influências europeias e africanas no desenvolvimento musical e cultural e compartilhou as diferentes perspectivas de pesquisadores e pesquisadoras brasileiros e portugueses sobre os mesmos temas, como a adequação dos sotaques portugueses em Portugal e no Brasil para esse tipo específico de repertório, ou a ampla circulação em Portugal no final do século XIX e início do século XX de partituras publicadas nas cidades do Rio de Janeiro ou São Paulo”.

  • João Frade e Roberto Mendes | Encontro de Culturas 2022 Serpa

    João Frade e Roberto Mendes | Encontro de Culturas 2022 Serpa

    João Frade e Roberto Mendes – Encontro de Culturas 2022 Serpa