Spiramen, do compositor mexicano Javier Torres Maldonado, é uma evocação da cosmologia maia. Spiramen é um neologismo, título de um ciclo de cinco peças inspirado no ritual das cinco direções maias. Cada ponto cardeal está associado a uma cor, a um espírito e a um significado simbólico que guiam a vida, os ciclos naturais e a experiência humana.
I. Este–Vermelho–Ixikhol
II. Norte–Branco–Ikinei
III. Oeste–Preto–Balor
IV. Sul–Amarelo–Ixsospir
V. Centro–Verde/Azul–Corosmos
Cada peça reflete estes valores através de um título de três palavras: as duas primeiras, em espanhol, indicam a direção e a cor; a terceira é um neologismo que combina raízes maias, espanholas, latinas, japonesas ou italianas, evocando o sopro, a energia, a ressonância ou o trânsito.
O título Spiramen associa raízes reconhecíveis: «Spira» evoca o sopro, o espírito, o movimento em espiral; «amen» ressoa com o princípio germinal, a luz, bem como com uma dimensão ritual ou abstrata. Disto resulta um conceito aberto: gérmen respiratório, voz antes de se tornar voz, sopro originário, espiral de ar a transformar-se em som.
A obra para quatro vozes e eletrónica foi criada numa Residência artística no GRM/Radio France com o Ensemble Les Métaboles. A residência foi possível graças ao apoio do Programa Ibermúsicas.
O ensemble Les Métaboles, sob a direção de Simon Proust, é integrado por Émilie Husson (soprano), Kaoli Isshiki-Didier (alto), Jean-François Chiama (tenor) e Jean-Christophe Jacques (barítono).
- Para ouvir as obras:

