La Tribu (Panamá) – Bila Burba: 100 anos de identidade e cultura – Turnê pelo Canadá, Estados Unidos e China

Título do projeto: Bila Burba
Nome do artista/agrupação: La Tribu
País: Panamá
Linha de convocatória: Apoio à circulação de profissionais da música
Ano da convocatória: 2024

O projeto Bila Burba, da agrupação panamenha La Tribu, parte de uma proposta musical concreta: uma fusão entre cantos, danças e instrumentos da nação Gunadule com gêneros contemporâneos como o rock e o jazz. Ativa desde 2010 e com base em La Chorrera, a banda desenvolveu uma linguagem própria dentro da etnofusão, na qual a dimensão sonora se articula com o uso de língua indígena, coreografias e uma encenação que combina elementos tradicionais e formatos atuais.

A turnê Bila Burba: 100 anos de identidade e cultura foi organizada em torno da comemoração do centenário da Revolução Dule de 1925. Esse acontecimento, fundamental para a história do povo guna, aparece como eixo temático de um repertório que aborda questões como o território, a memória coletiva e a relação com a natureza. Nas palavras do próprio grupo, trata-se de “um momento de levantamento de nossas vozes musicais para falar sobre nossas lutas, nossos territórios”.

O projeto se desenvolveu em um circuito internacional que incluiu apresentações em cidades como Toronto e Los Angeles. A isso se somou uma atividade formativa no International Indigenous Music Summit, em Toronto, onde a agrupação compartilhou aspectos de sua prática musical e cultural com outros artistas e públicos interessados em músicas indígenas contemporâneas.

Mais do que se concentrar exclusivamente no concerto, a proposta também incorporou espaços de intercâmbio. As palestras e atividades formativas permitiram contextualizar a música dentro da história e da cosmovisão Gunadule, abrindo um diálogo com públicos que, em muitos casos, entravam em contato pela primeira vez com esse tipo de repertório. Nesse sentido, o projeto funcionou tanto como apresentação artística quanto como instância de mediação cultural.

A trajetória prévia do grupo —com apresentações em países como Colômbia, México, Brasil e Japão— e suas colaborações com músicos internacionais, como Shea Welsh, explicam em parte a projeção desta turnê. Esses vínculos permitiram ampliar o alcance de sua música e gerar novos espaços de atuação, especialmente em circuitos onde as músicas de raiz dialogam com formatos contemporâneos.

Um dos resultados mais concretos do projeto foi a ampliação de redes: a agrupação recebeu convites para retornar ao Canadá e participar de festivais nos Estados Unidos, além de abrir possibilidades de colaboração com músicos de outros países. Nesse sentido, a circulação não se limitou à turnê em si, mas deixou abertas novas instâncias de intercâmbio para o futuro.

O apoio da Ibermúsicas foi fundamental para tornar possível este percurso. Como sintetiza o próprio grupo: “com os recursos da Ibermúsicas, alcançamos novos públicos, novos contatos e futuras colaborações”.