Batimento Dúo (Uruguai) – Concertos no Canadá

Título do projeto: Batimento Dúo. Concertos en Canadá
Nome do artista/agrupação: Batimento Dúo
País: Uruguai
Linha de convocatória: Apoio à circulação de profissionais da música
Ano de convocatória: 2024

O convite para participar do 28º Festival des Traditions du Monde de Sherbrooke situou o Batimento Dúo em um circuito internacional onde o tango se desloca e se ressignifica longe do seu território de origem. A partir daí, o projeto se configurou como uma plataforma de difusão da tradição guitarrística rio-platense, mas também como um espaço de experimentação interpretativa sobre repertórios históricos do Uruguai.

Integrado por Ignacio Correa e Andrés Rey, o duo trabalha com arranjos originais para duas guitarras que reconstroem, a partir de uma perspectiva contemporânea, gêneros como o tango, a valsa e a milonga. A seleção das obras responde a um critério preciso: seu vínculo com o Uruguai, seja pelos compositores, pelo contexto de criação ou por sua inscrição na história cultural do país. Essa abordagem articula-se com uma dimensão musicológica que se materializa no livro Tangos Uruguayos, publicação que reúne partituras, análises históricas e ferramentas técnicas para a interpretação do gênero.

A turnê pelo Canadá, realizada em agosto de 2025, ampliou consideravelmente o alcance inicial do projeto. O que inicialmente previa duas apresentações transformou-se em um percurso de nove concertos em cidades como Ottawa, Kingston, Montreal, Magog e Sherbrooke. Espaços como a University of Ottawa, o Domaine Trinity ou La Marche à côté acolheram propostas que oscilaram entre o concerto e a milonga, possibilitando um contato direto com públicos diversos. O encerramento no festival de Sherbrooke — com mais de 200 espectadores — confirmou a capacidade do projeto de se inserir em contextos multiculturais.

Paralelamente, o duo desenvolveu uma instância formativa no próprio festival, centrada na interpretação do tango na guitarra. A partir de sua experiência pedagógica — já desenvolvida em países como Colômbia e Japão — abordaram aspectos técnicos como a marcação, as síncopas ou as estruturas rítmicas características do gênero, junto com elementos históricos vinculados ao papel do Uruguai em seu desenvolvimento. Essa dimensão reforça uma ideia que atravessa todo o projeto: a música como prática de transmissão, não apenas de repertórios, mas também de saberes.

A circulação no Canadá também permitiu ativar novas redes profissionais. Como assinalam os próprios músicos, “foram estabelecidos vínculos com agentes culturais do Canadá que poderão permitir um nexo contínuo com o mercado musical deste país”, consolidando uma projeção que vai além da turnê pontual. Soma-se a isso o convite da escola Tango Rico, nos arredores de Montreal, que abre a possibilidade de futuras colaborações em um contexto onde o tango funciona como enclave cultural específico.

Nesse percurso, o apoio do Ibermúsicas foi decisivo. Não apenas possibilitou a participação no festival, como também viabilizou uma expansão significativa do projeto: o número de concertos passou de dois para nove, superando amplamente o planejamento inicial. Nesse sentido, o programa não apenas facilitou a mobilidade, mas atuou como catalisador para a inserção sustentada do duo em novos circuitos internacionais. Como sintetizam os próprios artistas: “os objetivos foram alcançados com folga”.