Título do projeto: Turnê Latina 2025 – Luana Flores – Nordeste Futurista
Nome do artista/agrupação: Luana Flores
País: Brasil
Linha de convocatória: Apoio à circulação de profissionais da música
Ano da convocatória: 2024
Em dezembro de 2025, a artista brasileira Luana Flores apresentou na América Latina seu projeto Nordeste Futurista, em uma turnê que acabou se configurando como uma instância-chave de reconfiguração artística e territorial. Inicialmente concebida como uma etapa de internacionalização nos Estados Unidos, a proposta foi posteriormente reformulada, direcionando sua circulação para o Chile e a Argentina. Esse deslocamento, longe de representar uma perda, possibilitou uma inserção mais profunda no cenário cultural latino-americano, fortalecendo redes de colaboração, produção e circulação regional que se mostraram altamente frutíferas.
Nascida em João Pessoa (Paraíba), Luana Flores —beatmaker, DJ, percussionista, cantora e compositora— insere-se em uma nova cena brasileira que articula tradição e experimentação a partir de uma perspectiva situada. Seu trabalho funde ritmos da cultura popular nordestina —como o coco e o maracatu— com a música eletrônica contemporânea, em uma busca que, segundo a própria artista, visa “ressignificar o tradicional no contexto urbano e digital”. Nesse cruzamento entre ancestralidade e tecnologia, sua proposta também aborda problemáticas contemporâneas relacionadas ao gênero, à territorialidade e à resistência cultural.
A turnê —primeira incursão da artista no circuito latino-americano— ocorreu entre 5 e 11 de dezembro de 2025 e incluiu apresentações em Santiago de Chile, no evento El Clan – Experiencia Andestral, e em Valparaíso, além do encerramento em Buenos Aires, no âmbito da festa Por amor al baile. A essas apresentações somaram-se instâncias de criação e formação, como sessões de gravação em Santiago com a artista local Madela e em Rosário (Argentina) com músicos da cena independente, consolidando um processo de intercâmbio artístico que foi muito além do formato de concerto. Nesse sentido, sua proposta cênica —definida pela crítica como uma experiência que cruza “ancestralidade, tecnologia e narrativa futurista”— projeta-se como um dispositivo de conexão entre territórios e linguagens.
Mais do que uma circulação pontual, o projeto possibilitou a construção de novas redes profissionais e artísticas na região, incluindo vínculos com programadores, festivais e instituições culturais, bem como a geração de material colaborativo com artistas locais que continuará a se desenvolver em futuros lançamentos. Nesse contexto, o apoio do Ibermúsicas mostrou-se fundamental para a realização da turnê, ao permitir a mobilidade internacional e sustentar a viabilidade do projeto. Como sintetiza a própria Luana: “a ajuda concedida pelo Ibermúsicas foi fundamental para a concretização do projeto, possibilitando os deslocamentos, as apresentações e as colaborações com artistas locais, além de fortalecer redes e ampliar minha presença internacional”.

